Crescem notificações de crimes contra mulher

Nos últimos dois anos, DDM de Presidente Prudente registrou aumento de 38,5% na abertura de inquéritos de violência doméstica

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 16/05/2020
Horário 04:00
Arquivo - Atendimento prossegue normalmente na Delegacia de Defesa da Mulher Arquivo - Atendimento prossegue normalmente na Delegacia de Defesa da Mulher Imagem: Arquivo - Atendimento prossegue normalmente na Delegacia de Defesa da Mulher

Crimes contra a mulher ocorrem a todo momento. Há situações em que chegam ao conhecimento da sociedade, porém, outra parte fica entre quatro paredes e pode permanecer por ali durante um longo período. Isso porque muitas resistem em denunciar os agressores, o que impede que estes sejam penalizados. Porém, a situação parece estar mudando. Conforme balanço fornecido pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em Presidente Prudente, entre os anos de 2018 e 2019 houve crescimento na abertura de inquéritos sobre violência doméstica. Os números saltaram de 903 para 1.251 (38,5%).

Para a delegada de polícia titular da delegacia, Daniela Roefero Marrey Sanchez, a conta “reflete o aumento das notificações e não necessariamente o número de ocorrências” que, por consequência, acarretaram um crescimento no número de procedimentos apuratórios. “O aumento das notificações está diretamente ligado à informação, ao maior conhecimento da lei e de seus direitos pelas vítimas”, explica. A delegada também considera que isso seja decorrente das frequentes campanhas de incentivo à denúncia do ofensor, promovidas pela Secretaria de Segurança Pública junto às delegacias de Polícia Civil.

No entanto, durante o período de quarentena estabelecido no Estado de São Paulo, é possível que a violência doméstica aumente. Conforme explica a titular da DDM, ela pode decorrer por sentimentos negativos acarretados pelo confinamento, bem como pela crise financeira, pressão econômica e social, além do próprio medo da pandemia. “Em alguns casos, infelizmente, aguçam sentimentos ruins, exacerbando a agressividade”, salienta. A afirmação, conforme Daniela, surge em análise aos dados da ONU (Organização das Nações Unidas), baseados na experiência de outros países também vitimados pela Covid-19.

DELEGACIA

ELETRÔNICA

Como anunciado em abril pelo governador João Doria (PSDB), a Delegacia Eletrônica (www.delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br)  passou a registrar casos de violência doméstica, para que a vítima evite se deslocar para a unidade policial e diminua o risco de contaminação pelo novo coronavírus. Vale observar que a medida também é válida para incentivar aquelas que têm receio em sair de casa para fazer a denúncia – seja por medo ou constrangimento.

Porém, o atendimento presencial prossegue normalmente nas 134 DDMs do Estado de São Paulo. “As vítimas que não têm acesso à internet podem comparecer na unidade policial mais próxima [DDM, Plantão Central, delegacias dos municípios] para o registro dos fatos”, lembra a delegada titular em Prudente. Outro modo de formalizar denúncia é através do Ligue 180 – que é a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. O serviço é gratuito e confidencial, ou seja, preserva o anonimato. O canal funciona 24 horas.

NÚMEROS

903

inquéritos foram instaurados em 2018

1.251

inquérito foram abertos em 2019

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