Para o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, conversamos com duas mulheres que comandam bares noturnos em Presidente Prudente e que representam força, liderança e transformação em um setor historicamente dominado por homens. Cada vez mais, elas assumem a gestão de casas noturnas, bares e espaços culturais, trazendo novas perspectivas, inovação e um olhar estratégico diferenciado para o negócio.
As mulheres nesse papel se destacam pela capacidade de organização, comunicação eficiente e inteligência emocional, qualidades essenciais em ambientes dinâmicos e, muitas vezes, desafiadores. Mas, com aquele “jeitinho” que só as mulheres têm, elas mostram que liderança não têm gênero; tem competência, visão e coragem.
Com vocês, as “donas da noite”: Kátia Midori, que é proprietária do Villa 18 Container Bar, e Mariane Chanquini Silva, dona do Bar da Onça.

Foto: Cedida - Mariane sente orgulho por mostrar que mulheres podem comandar a noite
Kátia Midori conta que, depois de ter trabalhado em um restaurante em Prudente, gostou da experiência. “Adorei a experiência da vida noturna pela correria e loucura [risos]. Foi daí que surgiu a vontade de ter um bar. Sempre gostei desde tête-à-tête com os clientes, de dar atenção, de conversar. Mas sempre tive receio de embarcar nessa loucura sozinha. Quando conheci meu marido, decidimos montar um negócio nosso. Foi quando vendemos tudo o que tínhamos para investir nesse sonho”, expõe.
Mariane Chanquini conta que sua caminhada começou em 2003, com o Boteco do Neymar, em Prudente. “Foi ali que dei meus primeiros passos e entendi que o ramo de bares e restaurantes exige muito mais do que técnica, exige paixão e coragem. Sendo a única mulher entre três irmãos, precisei imprimir minha personalidade desde o primeiro dia para construir meu espaço em um ambiente que, na época, era muito mais masculino”, conta.

Foto: Cedida - Villa 18 Container Bar, em Prudente, é administrado por Kátia Midori
“Não é fácil, mas a gente que é mulher sempre dá um jeitinho, né? Tenho uma bebê de dois anos. Aproveito os horários quando ela está na escola para fazer as coisas internas do bar, outras vezes resolvo por celular mesmo. E, à noite, quando o bar abre, levo ela comigo, até porque não tenho com quem deixá-la. Então, me desdobro para conseguir conciliar a maternidade e a vida de dona de casa, de esposa, de filha e de empreendedora”, afirma Kátia.
“O segredo está na entrega. Eu sou a mente e o coração do Bar da Onça e isso exige uma rotina intensa, mas o que me sustenta é a alegria pelo que faço. Como uma verdadeira ‘onça’, sou protetora com meu trabalho, mas também entendo que, para celebrar a vida com meus clientes, preciso estar em equilíbrio. Minha fé e minha perseverança são os pilares que me mantêm de pé, permitindo que eu enfrente os desafios diários sem perder o sorriso e a energia contagiante que meus clientes esperam encontrar. Tudo isso sem esquecer que, além de empreendedora, sou mãe e esposa, papéis que levo com o mesmo amor e dedicação. É na minha família que encontro força, propósito e o equilíbrio necessário para seguir firme, cuidando do meu negócio sem deixar de lado aquilo que mais importa na minha vida”, ressalta Mariane.
Kátia diz que, às vezes, nem acredita que, de um sonho, está oferecendo emprego para tantas pessoas. “Quando paro e penso nisso, fico muito feliz e realizada, eu que sempre trabalhei para os outros... Eu só peço a Deus que continue me capacitando e me dando coragem para continuar nessa jornada”, destaca Kátia.
Mariane vê a geração de empregos como uma grande responsabilidade e, ao mesmo tempo, um propósito de vida. “Gerar oportunidades em Prudente é fortalecer a nossa comunidade. Cada colaborador direto e cada fornecedor indireto fazem parte da engrenagem que faz o bar pulsar. Ver tantas famílias crescendo junto com o meu negócio é o que me prova, diariamente, que desistir nunca foi uma opção”, diz Mariane.

Foto: Cedida - Bar da Onça é administrado por Mariane Chanquini
Questionadas sobre quais conquistas consideram marcantes até aqui, as duas empresárias falam:
“Conseguir chegar até aqui! Depois de tantas dificuldades que passamos, estar perto de completar três anos de casa e dois anos de pagode é uma grande vitória. E claro, conseguir conciliar a vida pessoal com a profissional, dando o meu máximo para conseguir fazer tudo com excelência”, avalia Kátia Midori.
“Tornar-me uma das pioneiras do empreendedorismo feminino na noite prudentina é, sem dúvida, um marco. Ver o bar se consolidar, em sociedade com meu irmão, como uma referência em gastronomia, em drinks autorais e em música ao vivo é a materialização de um sonho. Ver produtos como alguns drinks e porções virarem marcas registradas da cidade me dá a certeza de que deixei minha marca, pondera Mariane Chanquini.
Para Kátia, a presença da mulher no setor noturno é desafiadora. “Vejo que esse ramo é muito mais masculino, mas graças a Deus acabei criando um vínculo de respeito e amizade, onde a grande maioria tem mais respeito”, considera.
Mariane diz que é como um movimento de ocupação e resistência. “Quando comecei, o cenário era bem diferente. Hoje, sinto orgulho de ser uma referência e de mostrar que a mulher pode sim comandar a noite com autoridade, competência e muita sensibilidade. A presença feminina traz um olhar mais detalhista, um acolhimento diferenciado e uma gestão cheia de garra. O bar é a prova de que a força da mulher transforma o ambiente de negócios”, denota.