Educação superior e corporativa – parte 2

OPINIÃO - Wilson Roberto Lussari

Data 21/05/2026
Horário 04:30

Há alguns anos eu escrevi este artigo sobre a dualidade entre os dois tipos de educação. Na primeira vez estava observando do lado da educação superior formal. Agora me encontro do lado da empresa que demanda uma educação corporativa para seu sucesso.
A vantagem de fazer parte dos dois lados da mesma moeda me permite observar os pontos que eu defendia e tinha razão e agora procuro observar o outro lado, que carece de respostas críticas à sobrevivência de qualquer empresa.
E o resultado é semelhante. Incumbido de organizar um departamento comercial da empresa, me deparo com os problemas que identificava enquanto coordenador de um curso superior.  Naquele momento identificava uma causa silenciosa: disciplina. 
A disciplina ainda é hoje uma absoluta necessidade para se viver em sociedade. Regras claras, concordância com princípios básicos universais, convívio social com urbanidade e coerência, faz dela o ingrediente fundamental de outra causa crítica identificada naquela época: comprometimento.
Disciplina e comprometimento contribuem para a independência pessoal, bem como de atuar com maior interdependência em sociedade. Isto porque há a necessidade de a pessoa atuar com mais independência, sem supervisão, sem chefia, sem controles rígidos; apenas resultados. Sem disciplina e comprometimento não se obtém resultados, por mais ínfimos que seja. 
Contratar pessoas em começo de carreira, particularmente para a área de vendas, tem se tornado uma experiência desafiadora. Há a necessidade de conciliar as demandas da empresa, das expectativas dos gestores e dos candidatos, características do produto e do mercado a ser atendido.
Jovens ansiosos por produzir seus próprios resultados são selecionados e jogados na cova dos leões, para mostrarem suas reais habilidades e iniciativas. A realidade das empresas é paradoxal: se ela tem metas e resultados a cumprir, por um lado, ela também se vê na obrigação de abrigar e desenvolver seus talentos.
E aí identificamos que tudo retorna ao princípio básico do mundo do trabalho: a empresa (e os gestores) precisam tutelar o aprendizado; o aprendiz precisa se submeter às instruções de seus tutores. 
Em tempos de IA, parece um anacronismo falar de voltar às origens do período industrial da metade do século passado. Mas quem dá as cartas no mercado ainda é o cliente. E a menos que uma IA ou robô adquira algum produto ou serviço para seu deleite, ainda serão pessoas que necessitarão de consumir e se relacionar.
O século XXI continua com a mesma necessidade dos homens das cavernas: alguém resolvendo o problema de alguém. As empresas precisam voltar a montar internamente suas escolinhas de formação profissional.
 

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