Em caso de medo na vida, leia esta crônica

Roberto Mancuzo

CRÔNICA - Roberto Mancuzo

Data 04/01/2022
Horário 06:40

Às vezes a gente aprende na vida com analogias, que nada mais são do que relações de semelhança entre coisas ou fatos. Quero dar duas ferramentas com base em analogias para você usar neste ano de 2022.

O surfe da vida
Se há um esporte que conta com o imponderável, mas sempre apresenta uma segunda chance, é o surfe. 
Surfistas precisam lidar com as forças e a imprevisibilidade da natureza e a partir das técnicas dropam as ondas para se divertir ou competir. 
A questão é que, não raro, podem levar o que chamam de “caldo” ou “tomar uma vaca”. Queda, em linguagem mais popular e com ela a dor de não ter alcançado o objetivo. Aliás, quem já caiu de uma onda em mar alto sabe que é como entrar em uma máquina de lavar roupa.
Acontece que apesar de toda a dor momentânea, você já viu surfistas desistirem na primeira onda errada? 
Pois é, eles voltam para pegar a próxima porque sabem que a natureza vai entregá-la. Eles têm fé. 
Mas não voltam de boa não, porque as boas ondas estão bem mais longe da praia, para além da arrebentação, e chegar lá de novo exige um esforço gigantesco. 
Já deu para perceber que alguns dos seus problemas são surfáveis, não? Quantas vezes você teve a coragem e a vontade de retornar para o ponto da próxima onda? Quantas vezes a queda foi tão brusca que nem voltar você quis? 
É o que eu aprendo com o surfe. A vida vai te dar sempre uma nova chance. Não há condição de não acontecer. Pode ser que não seja da maneira que tenha sonhado, mas haverá. É preciso, porém, superar as barreiras da dor, do desespero, da falta de ar e da escuridão para voltar ao ponto de recomeço. Aloha!

A ultrapassagem
O seu passado interfere demais nas decisões da sua vida hoje? O quanto você deixa de investir no que ama fazer profissionalmente, conviver com amigos ou ter um grande amor porque algo, lá atrás, em um passado não muito longe, é traumático? 
Tenho certeza de que muitos de nós já perdemos oportunidades de viver bem e melhor porque possui esta “janela assassina” aberta, como ensina o psiquiatra e escritor Augusto Cury. 
É assassina porque quando aberta em nossa mente ela realmente mata tudo que vem pela frente, toda vontade, e tem algum tipo de relação com um trauma vivido. 
Mas o que quero dar a você é uma ferramenta para ajudar a fechar esta janela e ela tem a ver com a analogia de uma ultrapassagem de carro em uma rodovia.
Quando estamos dirigindo e precisamos ultrapassar um carro temos duas opções de olhares e precisamos usá-las: uma é o para-brisa do carro e outra é o retrovisor. 
Quando chega a hora de ultrapassar um outro veículo é como um desafio que temos pela frente. Mantemos a visão firme para frente, ou seja, pelo para-brisa no sentido de verificar se há segurança. 
Mas antes de seguir, precisamos olhar também para o retrovisor. Uma olhada rápida, para ver se tudo bem, se não há nada que te impeça de ir em frente. Ao menor sinal de perigo, abortamos a operação.
A analogia aqui é pensar que por diversas vezes deixamos de seguir em frente porque olhamos demais para o retrovisor. Ou melhor, não avançamos porque o que vemos no espelhinho do passado não nos dá coragem de seguir. 
É tão forte isso que conheço muitas pessoas que poderiam estar bem melhor na vida se deixassem de olhar tanto para o passado. Este tempo que passou deve ser para nós um ponto de referência, de aprendizado, mas nunca de paralisação. Ou nunca chegaremos ao destino no tempo certo.
 

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