Em Prudente, cesáreas representam 65% dos partos na rede pública, revela SES-SP

Nos hospitais Regional e Estadual, incisões cirúrgicas prevaleceram sobre procedimentos normais tanto em 2024 quanto em 2025

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 19/02/2026
Horário 04:04
Foto: Freepik
Dos 2.895 partos realizados nos dois hospitais geridos pelo Estado, em Prudente, 1.905 foram cesarianas
Dos 2.895 partos realizados nos dois hospitais geridos pelo Estado, em Prudente, 1.905 foram cesarianas

Em 2025, dos 2.895 partos realizados nos dois hospitais geridos pelo Estado, em Presidente Prudente, 1.905, ou 65,8%, foram cesarianas, e 990, ou seja, 34,2% foram normais. O cenário é semelhante ao registrado em 2024, quando 2.995 procedimentos de concepção foram registrados na rede pública: destes, 1.963 cesáreas (65,6%) e 1.032 (34,4%) normais.

Os números são da SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde), e indicam que as incisões cirúrgicas no abdômen e útero prevalecem em ambas as unidades. No ano passado, no Hospital e Maternidade Estadual Doutor Odilo Antunes de Siqueira, foram realizados 1.763 partos, sendo 1.230 cesarianas e 533 normais. Em 2024, a unidade contabilizou 1.895 partos, com 1.351 cesarianas e 544 partos normais.
Também em 2025, o HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo registrou 1.132 partos, sendo 675 cesarianas e 457 partos normais. Em 2024, foram 1,1 mil partos, dos quais 612 cesáreas e 488 normais.

Autonomia da mulher

A Lei 17.137, de 23 de agosto de 2019, aprovada no Estado de São Paulo, garante às gestantes do SUS (Sistema Único de Saúde) o direito de optar pela cesariana a partir da 39ª semana de gestação, com foco na autonomia da mulher.

E, embora as cirurgias prevaleçam sobre os partos normais, sendo da grávida a decisão sobre o tipo de procedimento, o Ministério da Saúde destaca que o parto humanizado é um direito conquistado para todas as gestantes, o qual garante o protagonismo e a dignidade da mulher no momento da concepção.

Entre os princípios básicos da humanização do parto, no entanto, o governo federal cita: entender que o parto normal é um processo natural, evitando intervenções desnecessárias; garantir o protagonismo da mulher no momento da concepção; além de informá-la sobre os procedimentos praticados durante o procedimento e somente realizá-los com a sua autorização.

Plano de Parto

Sobre as escolhas das gestantes, a SES-SP ressalta a existência do Plano de Parto, um documento, com validade legal no Brasil, elaborado junto à Atenção Primária à Saúde, na rede municipal, no qual a gestante registra suas preferências e desejos para o trabalho de pré-parto, parto e pós-parto. Ele comunica à equipe médica as providências a serem adotadas sobre alívio da dor, acompanhante, procedimentos e cuidados com o bebê, promovendo um parto humanizado e seguro. 

Ainda, segundo a SES-SP, conforme resolução da própria pasta, na Nota Técnica “Boas Práticas do Parto e Nascimento” está assegurado o direito ao parto humanizado nos estabelecimentos públicos de saúde, no âmbito do Estado, reforçando a importância do Plano de Parto da gestante elaborado no pré-natal.

“O Plano de Parto é uma carta de intenções na qual a gestante declara o atendimento que espera para si e para o seu bebê durante o parto. Esse documento será elaborado durante o pré-natal pela gestante e pelo profissional que a acompanha e é apresentado aos profissionais que conduzirão o parto”, ressalta o Ministério da Saúde. “Ele contém informações a respeito de procedimentos médicos e intervenções a que aceita ou não se submeter, expectativas e como deseja ser tratada”, conclui o governo federal.

Arquivo

No ano passado, no Hospital Estadual, foram realizados 1.763 partos, sendo 1.230 cesáreas

Arquivo

No HR, foram 1.132 procedimentos em 2025: 675 cesarianas e 457 partos normais

Publicidade

Veja também