A cada temporada de calor, feriados prolongados ou fins de semana à beira d’água, uma tragédia silenciosa volta a ocupar espaço nas manchetes: os afogamentos em rios. São perdas abruptas, dolorosas e, na maioria das vezes, evitáveis. Histórias que começam com lazer, encontro entre amigos ou momentos em família, mas terminam em luto, como o caso noticiado: no fim da manhã de ontem, foi localizado no Rio Paranapanema, em Teodoro Sampaio, já sem vida, o homem, de 39 anos, que havia desaparecido, nas proximidades de uma pousada, na noite de domingo. Mais uma vítima de afogamento.
Os rios exercem um fascínio natural. São convites ao descanso, à pesca, ao mergulho refrescante. No entanto, diferentemente de piscinas ou áreas monitoradas, escondem perigos que nem sempre são visíveis: correntezas traiçoeiras, buracos, pedras escorregadias e variações bruscas de profundidade. A falsa sensação de segurança, muitas vezes associada à familiaridade com o local, é um dos fatores que mais contribuem para acidentes.
Em pescarias e passeios de barco, o risco se amplia. Um simples desequilíbrio, uma distração ou até uma mudança repentina no clima podem transformar segundos em uma luta pela sobrevivência. É nesse contexto que o uso do colete salva-vidas deixa de ser um detalhe e se torna um divisor de águas entre a vida e a morte. Ainda assim, seu uso segue sendo negligenciado por muitos, seja por desconforto, descuido ou excesso de confiança.
É preciso romper com essa cultura de subestimar o perigo. Segurança não pode ser opcional. O colete salva-vidas não é um acessório. É um equipamento essencial. Assim como o cinto de segurança nos veículos, ele representa uma proteção básica que salva vidas todos os dias, mesmo que seu valor só seja percebido quando o pior acontece.
Além do uso de equipamentos adequados, a conscientização deve ser constante. Evitar o consumo de álcool antes de entrar na água ou conduzir embarcações, respeitar os limites do corpo, redobrar a atenção com crianças e nunca nadar sozinho são atitudes simples, mas que fazem toda a diferença.
A dor provocada por um afogamento não atinge apenas uma vítima. Ela reverbera em famílias, amigos e comunidades inteiras. Por isso, mais do que lamentar, é urgente prevenir. Cada vida preservada começa com uma escolha responsável. Que o lazer à beira dos rios continue sendo sinônimo de alegria, mas nunca à custa da imprudência.