Escola: a potência do encontro

OPINIÃO - Raul Borges Guimarães

Data 12/06/2022
Horário 04:10

Há poucos dias tive o imenso prazer de ministrar uma aula presencial. Eu havia trabalhado com aquela turma universitária por via remota durante a pandemia. Era uma sensação de estranhamento, mas também de aproximação. Obrigado professora Carolina Russo Simon pelo convite!

Curiosamente, uma das alunas queria saber de mim qual era o principal ensinamento que carrego comigo nos meus 40 anos de magistério. Eu não titubeei nenhum minuto. Brotou de dentro de mim as vozes daqueles professores que me ensinaram a olhar, a sentir, a supor, a pensar e a descobrir. Lembrei-me do professor Maurício. Para ele o que importava não era os bichos e plantas, mas acreditar sempre nos espaços afetivos, na solidariedade e no diálogo como inerentes aos processos de ensino e aprendizagem. Ouvir nossos alunos com seriedade e respeito. Semear nos jovens a potência de agir no mundo.

Muita gente insiste que a Educação à Distância ou a universidade do mundo digital irá substituir as experiências que a “escola de carne e osso” proporciona ao jovens estudantes e professores que convivem com eles no dia a dia da sala de aula. Afinal, a Internet expandiu os horizontes da comunicação e nossa conectividade vem atingindo dimensões inimagináveis, não é mesmo? Está aí a Internet das coisas e as cidades inteligentes para não nos deixar mentir. E nessa corrida tecnológica, qual seria o lugar da escola?

Eu sei que a interação forçada que vivemos no ambiente virtual de aprendizagem tornou-se uma dimensão irreversível do trabalho docente. Mas eu tenho profunda convicção acerca da importância da escola presencial na vida das pessoas. Da promoção de encontros, em princípio, improváveis entre as pessoas. Haja animação, imaginação, descobrimentos, convites, mestres e amigos. Mas também arrependimentos, suspiros, muita histeria, desinterias, desistências...

E a vivência em grupo? Mural, fita crepe. Janelas para atividades grupais ajeitadas em meio a “aula de inglês”, “hora marcada no dentista”, “horas de estudos para a prova do dia seguinte”, dias sem almoço, muita discussão e confusão. “E os instrumentos? O pai do João tem, fala com ele”. “Roupa de padre? Acho que a minha vizinha tem”. “Dinheiro para a viagem? Rifamos bolo de chocolate no intervalo”. “Onde a gente vai montar a maquete? O professor Mário cede a sala pra gente.” Enfim, tudo feito com as mãos.

Ação, reação. Muitos projetos, sempre! Novas linguagens, novas realidades de vida e novos valores. Há de ser sempre a mesma coisa? Sim, a escola movida pela potência do encontro.

 

 

 

 

 

 

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