Estudo investiga relação entre hormônios femininos e imunologia

Desenvolvido no LaFiCE (Laboratório de Fisiologia Celular do Exercício) da FCT Unesp, Projeto Wine envolve mulheres de 18 a 70 anos, ampliando conhecimento científico com base em evidências

Esportes - DA REDAÇÃO

Data 18/02/2026
Horário 08:00
Foto: Cedida
Projeto Wine foi criado com o propósito de ampliar o conhecimento científico sobre o corpo feminino
Projeto Wine foi criado com o propósito de ampliar o conhecimento científico sobre o corpo feminino

Mulher, imunologia, nutrição e exercício. As relações entre essas variáveis são a temática central do Projeto Wine (Women, Immunology, Nutrition and Exercise), coordenado pela jovem pesquisadora Dra. Barbara de Moura Mello Antunes e desenvolvido no LaFiCE (Laboratório de Fisiologia Celular do Exercício), na FCT Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista) de Presidente Prudente.

Criado com o propósito de ampliar o conhecimento científico sobre o corpo feminino, o principal intuito da pesquisa é compreender como os hormônios sexuais femininos modulam a inflamação e o metabolismo de células imunes ao longo das diferentes fases da vida da mulher. 

“Historicamente, a ciência produziu grande parte do seu conhecimento a partir de dados masculinos, assumindo que eles poderiam ser generalizados para as mulheres. Hoje, sabemos que não é verdade. Por isso é tão importante desenvolver pesquisas específicas sobre a saúde da mulher. O organismo feminino apresenta particularidades biológicas importantes, como flutuações hormonais ao longo da vida, diferenças imunológicas, metabólicas e fisiológicas, que influenciam o desenvolvimento das doenças e a resposta a tratamentos e intervenções, como o exercício físico”, explica Barbara.

A iniciativa visa superar o estigma de que a fisiologia feminina é “complexa demais” e produzir ciência de mulheres e para as mulheres, colocando o corpo feminino no centro da investigação, e não como uma exceção. Outro objetivo do projeto é comunicar os resultados científicos de forma acessível e com uma linguagem clara e compreensível para a sociedade, fazendo com que a população feminina entenda como os hormônios, imunidade e estilo de vida influenciam seu bem-estar e, com esse conhecimento, possa tomar decisões mais informadas sobre exercício, alimentação, acompanhamento médico e saúde reprodutiva.

“O Wine integra excelência científica com responsabilidade social, investigando mecanismos fundamentais da imunidade feminina ao mesmo tempo em que combate à invisibilidade histórica da saúde da mulher e promove comunicação científica inclusiva”, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, o diferencial está na proposta de gerar evidências que possam ser traduzidas tanto para o avanço científico quanto para a prática, contribuindo para estratégias de exercício mais seguras e personalizadas.

Recentemente, resultados parciais da pesquisa foram publicados na revista internacional Maturitas.

A pesquisa na prática

A investigação está dividida em duas partes principais: a primeira é destinada a mulheres em período reprodutivo, de idade entre 18-35 anos, com o objetivo de estudar o impacto da flutuação hormonal, observada durante os ciclos menstruais, sobre a modulação do sistema imune e perfil inflamatório. Já a segunda parte, destina-se a mulheres em período não-reprodutivo, acima dos 45-50 anos, com o objetivo de estudar o impacto do declínio hormonal, característico da menopausa e pós-menopausa. 

Para a pesquisadora, ao envolver mulheres de 18 a 70 anos, o estudo consegue captar as transições biológicas marcantes da saúde da mulher de forma mais realista, evitando conclusões baseadas em um único momento da vida da mulher. Isso amplia a validade dos achados e permite compreender como diferentes fases biológicas vão modulando as respostas fisiológicas e imunológicas.

“Na prática, o Wine contribui para a sociedade porque aproxima a ciência do dia a dia das mulheres. Ao entender melhor os processos que influenciam o corpo feminino, conseguimos orientar de forma mais precisa sobre exercício, saúde reprodutiva, menopausa e prevenção de doenças, de maneira a criar informações mais confiáveis, guias e ações de saúde baseadas em evidências, e não em mitos, além de apoiar profissionais de saúde a oferecer um cuidado mais personalizado. No fim, o estudo contribui para que as mulheres entendam melhor o próprio corpo e tenham mais autonomia para cuidar da saúde em todas as fases da vida”, finaliza Barbara.

SERVIÇO
Financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), o Projeto Wine oferece bolsas de mestrado e doutorado, ampliando as oportunidades de formação para a comunidade acadêmica. A iniciativa busca estudantes motivados e com afinidade com a temática do projeto, especialmente nas áreas de fisiologia do exercício, imunologia e saúde da mulher, dispostos a se desenvolver em um ambiente de pesquisa colaborativo.

Podem se candidatar graduados em áreas afins às Ciências da Saúde, como Ciências do Esporte, Fisioterapia, Biomedicina, Educação Física e Fisiologia, que demonstrem interesse em investigar respostas fisiológicas ao exercício sob a perspectiva das variáveis biológicas femininas.

Mais informações pelo e-mail: [email protected].


 

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