Faz de conta

OPINIÃO - Sandro Rogério dos Santos

Data 07/06/2020
Horário 04:30

Hoje, em primeira pessoa. Quem investe tempo na leitura dos textos que assino em O Imparcial há de se recordar das críticas azedas aos governos federais de turno. Também com algum esforço haverá de se lembrar do quanto voltei ao assunto da busca do diálogo e da aceitação do diferente como um interlocutor válido. A verdade não é propriedade deste ou daquele. Não está comigo. Não está com você. Vamos acessando-a em caminho, nos encontros e nas partilhas. É difícil tentar conversar com uma pessoa dogmática (em sentido popular, uma pessoa fechada).

Critiquei mais de uma vez os programas policialescos e ‘barraqueiros’ da televisão. Uma pessoa que passa horas diante da TV assistindo misérias humanas, roubos, sequestros, assassinatos, perseguições etc. sofrerá de ansiedade ou se tornará humanamente insensível. É como vivesse numa realidade paralela onde apenas as sombras, a dor e a morte têm espaço. Ainda destaquei a nossa como uma região ‘tranquila’, cuja violência é inferior à média nacional.

Após a longa introdução, gostaria de ressaltar que neste momento da pandemia não podemos virar o rosto para o outro lado e fazer de conta que nada está acontecendo. O noticiário não é uma obra de ficção nem um caça níquel. O desespero das pessoas ‘distanciadas socialmente’, solitárias, sem emprego, sem renda, sem perspectivas e doentes... não é obra de um roteirista. O jogo de acusações das responsabilidades pode ser fruto de marketing ou de incapacidades intelectivas de determinadas personagens da história.

Ainda sem casos confirmados, os governos orientaram a população para ficar em casa. No início, temerosa, a população respondeu positivamente. O tempo passando, a situação entrou em modo ‘marasmo’ e com campanhas contraditórias de figuras estreladas da nação, foi ficando insuportável manter-se em casa e o comércio, de portas fechadas. Agora, quando morrem dezenas de centenas de pessoas diariamente, e o contágio ascende, os governos flexibilizam as normas para o comércio (e as igrejas). Ao invés de fechar, abrem. Espera-se consciência da população. A sensação é a de que a palavra flexibilização soa como “chegou a cura da Covid-19” ou “a pandemia acabou”.

Perdoe-me por quiçá trazer um pouco de amarga realidade ao seu domingo, sobretudo eu sendo um anunciador da esperança e da vida que não termina jamais. Antes da vida eterna, temos esta terrena e temporal para cuidar. O cuidado da vida, o respeito pelas pessoas e a sadia convivência entre todos deveria ser o nosso norte ético-moral, não o faz de conta.

Seja bom o seu dia e abençoada a sua vida. Pax!!!

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