Filó, era o meu nome

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 03/05/2022
Horário 05:00

Menino ainda, pela fé dos meus pais, fui acolhido em Batismo Infantil e, de tão empolgado com o testemunho cristão de ambos, tornei-me submisso à tutela de meus progenitores dentro de uma comunidade cristã. 
Aos 12 anos, apresentei-me de forma voluntária ao pastor da Igreja Presbiteriana, para requerer a minha Profissão de Fé, quando revelaria publicamente meu desejo de confessar a Cristo e servir ao Reino de Deus. 
Compreendi ainda adolescente, que de mim Deus não se ausentaria! Presença divina em minha vida que aprendi a denominar: Graça, dádiva imerecida. Oferta gratuita de Deus à minha existência e história!
Naqueles tempos, moços dedicados à piedade cristã eram dirigidos para o Seminário de Teologia, com intuito de se formarem pastores protestantes. Sempre fui zeloso e aplicado com as labutas da igreja, mas, a ponto de tornar-me ministro do evangelho, essa vocação, nunca a recebi!
Liderei grupo de adolescentes e jovens, aceitei a incumbência do diaconato (ministério do serviço), tornei-me mordomo da igreja visível de Cristo, sem dela nunca arredar meus pés. Claro, sem desvincular-me das atividades seculares, que desde cedo e com muita fidelidade, exerci para o meu sustento e posterior manutenção da família que Deus me aprouve oferecer. 
Casei-me com o amor da minha vida em 1961, Ester, seu nome. Pela misericórdia de Deus, tivemos quatro filhas que me rendiam a sadia brincadeira: as mulheres de Filó. Em 1962, tornei-me servidor público do antigo Banco Banespa. Ali trabalhei, de maneira zelosa e dedicada, 25 bons anos. Das minhas meninas eu (muito menos Ester) nunca me distanciei.
Contudo, Deus em sua infinita misericórdia, antes mesmo do meu adormecer, duas delas Ele recolheu. 
Primeiro, perdi a Dayse, minha primogênita. Levada por um anjo divino, que cedo veio buscá-la de mim. Especial ela sempre foi e, especialmente, para Deus ela retornou. 
Depois, o Senhor levou a minha dócil Delci. Dela nunca me esqueci, sobretudo, quando a enxergava em meus netos, simbolicamente representada em seus sorrisos, gestos e modos de falar.
Deus ofertou-me as minhas queridas filhas, mas Ele também as levou. Descobri, então, que elas não eram minhas. Presença divina em minhas perdas e lutos. Graça, dádiva imerecida. Oferta gratuita de Deus à minha vida e história!
Contudo, era preciso navegar na turbulenta correnteza da vida e, antecipar no aqui e agora, os sinais da bondade de Deus em favor dos que necessitam e carecem de cuidados especiais. 
Com amor e dedicação, tornei-me por dois mandatos tesoureiro e presidente da Apae (Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais) do nosso município. 
Também com a graça de Deus, coordenei a fundação da Escola Presbiteriana de Presidente Prudente e tive o prazer de dirigi-la de forma deliberativa ao longo de 20 anos. 
Deus quis chamar-me à Sua presença. 
Despedi-me do amor da minha vida, Ester Cavalheiro de Souza. 
Das minhas filhas que ficaram (Denise e Débora), o amor e a compreensão das meninas: papai não é eterno! 
Morri apaixonado pela vida e, “risonho fitando a nebulosa de meu sonho”. Parti de joelhos e em obediência ao Nome que está acima de todo nome: Jesus, o Cristo da minha vida!
*05/12/1936
+27/04/2022
 

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