Há cenas que duram poucos minutos, mas ficam ecoando por dias dentro da gente. Foi assim numa fila comum de supermercado, dessas que todos nós frequentamos sem grandes expectativas. Eu aguardava minha vez na seção de frios, observando o ritmo automático das compras, quando um pequeno episódio revelou algo maior — e, talvez, preocupante.
Quando chegou minha vez, comecei a fazer o pedido. Nada extraordinário. Apenas mais um cliente respeitando a ordem invisível que sustenta a convivência em qualquer espaço coletivo: a fila. Mas então, como quem ignora essa regra silenciosa, um homem de 30 e poucos anos atravessou o espaço e entrou na minha frente. Sem hesitar, apontou para uma torta na outra ponta do balcão e fez seu pedido.
A atendente, visivelmente constrangida, tentou explicar que havia uma fila. Não conseguiu terminar a frase. Foi interrompida com a naturalidade de quem acredita estar certo: ele já havia escolhido, ela só precisava embrulhar. E, diante da pressão, ela obedeceu.
Atrás de mim, uma senhora não conteve a indignação: “Que falta de respeito!”. Era o sentimento coletivo ganhando voz. O homem virou-se lentamente, com um olhar frio, quase ensaiado, e respondeu com uma frase que parece ter se tornado lema de muitos tempos atuais: “O mundo é dos espertos”.
Ali, naquele instante, a fila deixou de ser apenas uma fila. Virou um retrato. Um espelho desconfortável de uma sociedade que, aos poucos, troca valores simples por atalhos duvidosos. Onde a esperteza tenta ocupar o lugar da educação, e a vantagem pessoal se sobrepõe ao respeito coletivo.
Mas a resposta da senhora foi um sopro de lucidez: “Prefiro ser educada do que esperta. Deixo a esperteza para pessoas como você”.
Não houve aplausos. Nem precisava. Aquela frase, dita com firmeza e dignidade, recolocou as coisas no lugar. Porque, no fundo, não se trata de quem chega primeiro ao balcão. Trata-se de quem escolhemos ser quando ninguém está nos julgando — ou quando achamos que não está.
Saí dali com a sensação de que a gentileza não morreu. Ela apenas anda mais silenciosa, mais discreta, às vezes até acuada. Mas resiste. Sobrevive em pequenas atitudes, em vozes que não se calam, em pessoas que ainda acreditam que viver em sociedade exige mais do que inteligência — exige caráter.
Talvez o mundo até seja, em parte, dos espertos. Mas é dos educados que ele ainda depende para não perder completamente o rumo.
REFLEXÃO
Gandhi dizia que você é a mudança que quer encontrar no mundo e Santa Hildegarda de Bingem que a gente encontra pela vida aquilo que somos.
GENTE QUE FAZ
Sou fã de voluntárias como essas do Núcleo Tterê, que deixam seus afazeres, para doar seu tempo e trabalho por uma causa tão meritória. São exemplo de abnegação, despreendimento e filantropia.
MÁQUINA DO TEMPO
O mundo real era outro: No lugar do celular havia o orelhão, a música a gente ouvia no disco de vinil e não no Spotify, não existia Google; tínhamos que fazer o trabalho da escola na Biblioteca Municipal. E, mesmo assim, ninguém reclama que aquilo não foi bom. Tudo isso estará de volta em forma de música na Discoteca 3.0 – A festa anos 80 que acontece neste sábado, dia 11 de abril, no Ibiza Lounge Bar. Convites antecipados na Banca do Tênis, Alphamaster ou on-line (essa tecnologia!) pelo site eventou.com.br. Garanta já o seu.
LÍQUIDO PRECIOSO
Dia da Água foi comemorando outro dia. Para todas as pessoas conscientes da necessidade de poupar o líquido sagrado, vale os lembretes:
- Lave as louças com a torneira fechada;
- Faça a barba com a torneira fechada.
- Tome banhos rápidos.
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