Um dos personagens criados pelo mestre Chico Anysio foi Haroldo, um homem gay que lutava com todas as forças para passar uma imagem de heterossexual, exibido no Chico Anysio Show nas décadas de 1980 e 90. Supostamente ex-gay, ele dava a maior pinta com seu jeitinho, principalmente quando encontrava uma antiga amiga travesti: primeiramente Leontina (Pauleti) e, depois substituído por Telma (Eduardo Martini). Haroldo insistia que era machão e que “ia morder todinha” as moças que desfilavam pelo quadro, enquanto a amiga insistia em mostrar a realidade: “Volta para o reduto, Luana”. Sempre de look rosa, no final do quadro, ele acabava sempre tendo uma recaída ao ver um bofe sarado. Humor das antigas.
Envelhecimento dos narcisistas
O narcisismo é o amor excessivo por si e pela própria imagem, derivada do mito grego de Narciso. É importante ter autoestima, mas quando esta desregula e passa a virar prioridade pode tomar ares de grandiosidade e falta de empatia. Contudo, mesmo a beleza, a superioridade e o ego inflado vão sofrer impactos do envelhecimento. Nada é perene e duradouro, e a idade vem trazer um choque de realidade neste panorama. O narcisista ao envelhecer pode assumir posturas de vitimização e amargura, num inconformismo perpetuado da juventude e dos dons perdidos. Com a perda do poder devido à perda dos atributos (particularmente beleza, vigor físico e status social), eles com frequência compensam o vazio emocional através de exigência de atenções redobradas da família, isolamento social e até mesmo, manipulação dos entes queridos. É comum que na ausência dos aplausos e elogios, o narcisista exija cuidados excessivos desproporcionais com a necessidade, com pouca demonstração de empatia pelas sobrecargas familiares. Demandas abusivas e invalidação podem levar ao esgotamento de cuidadores com maior facilidade. De uma forma resumida, o narcisista envelhece mal. E o mal envelhecimento não é pela perda da bela fisionomia, mas sim, pela forma ressentida que ele lida com tais perdas comuns, que podem provocar verdadeiros danos corrosivos em sua essência. Um idoso que prosperava com a validação social pode se tornar irritável ou propenso a explosões emocionais pela diminuição do seu combustível habitual: a massagem do ego exercida pelo outro. E nesta hora, é muito comum que tais idosos não exerçam aquilo que pode ajudar muito o apoio de seu cuidador: o elogio ao outro e a gratidão. É importante saber entender o comportamento deles e não levar para o lado pessoal, senão fica uma disputa eterna. Saber calar-se e resignar-se um pouco mais que o habitual do que com outros idosos, pode ser estratégica de preservação da própria saúde.
Dica da Semana
Filmes – Streaming
“O Vento Sopra”:
(The Wind Blows). Coreia do Sul. 2019. Série em 16 episódios. Narra a história de um homem que descobre precocemente estar desenvolvendo doença de Alzheimer. Resolve guardar segredo e decide se separar da esposa, para poupá-la de seus cuidados. Anos depois, os destinos deles se cruzam mais uma vez.