Homens e camiseta de time: um clássico

Giselle Tomé

CRÔNICA - Giselle Tomé

Data 25/04/2026
Horário 06:00

Levo tempo para me arrumar para sair com meu marido. Capricho no banho, na escolha da roupa, faço a maquiagem, arrumo o cabelo. E ele? Antes mesmo de eu começar a maquiagem, já está pronto, me esperando.
E lá vou eu: toda montada (como brinca uma amiga). E ele? Bermuda e camiseta. Pera, mas não é qualquer camiseta... é de time. Olho para ele, olho para mim e penso: “Acho que vamos para lugares diferentes”.
O pior de tudo nem é isso. É ter um amigo fornecedor que, de tempos em tempos, liga oferecendo uma da Alemanha, de Portugal ou de algum time para mim desconhecido.
Em casa, eu, amigos e minhas filhas já estamos em plena conspiração doméstica para aposentar as camisetas de time, pelo menos, nos passeios a dois. Mas não tem jeito. Acho que é coisa de homem. Ele diz que quer ficar mais à vontade, já que trabalha com traje mais formal.
Tenho um vizinho muito querido que adora caminhar com camisetas de time. Mas não é de qualquer time,  são aqueles menos conhecidos. A esposa conta que ele adora comprar de equipes pequenas. Outro dia, ela me sugeriu escrever uma crônica sobre esse tipo de “outdoor individual” de que nos apropriamos quando escolhemos uma camiseta para usar.
“Gi, fomos viajar para Itapema [SC] e você precisa ver como as pessoas olhavam algumas camisetas dele e vinham conversar. Reconheceram a do Grêmio Prudente, do Mirassol, da Chapecoense. Acho que dá uma crônica.”
E dá mesmo. É impressionante, mas o futebol realmente aproxima.
Para os tímidos, o simples uso de uma camiseta da equipe preferida já rende um início de conversa:
— “Nossa, que time é esse?”
— “Está de roupa de gala hoje?”
— “Vai, Corinthians!”
— “Não tem mundial [pior].”
E, de repente, a mágica acontece: estranhos já não são tão estranhos assim. Sempre nasce um diálogo, uma memória, uma curiosidade. As camisetas de times, especialmente as menos populares, despertam esse desejo de descoberta.
É como antigamente, quando os carros tinham placas com nomes de cidades e Estados. Eu adorava ficar olhando e tentando descobrir de onde vinham. Bons tempos. Hoje, tiraram essa aula gratuita de geolocalização.
Ainda bem que sobraram as camisetas de time. Então, bora aproveitar:
— “Carcará? O que é isso? Mascote? De que time?”
Mas, homens, façam um acordo: deixem as camisetas para o lazer, para o churrasco com os amigos (a Copa do Mundo vem aí, aproveitem...). Para sair com as esposas, dá para escolher outra peça do guarda-roupa. Agradecemos. [risos]

 

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