Após o falecimento, nesta quarta-feira, de Juraci Rosa Alves, que havia sido declarado morto no Hospital de Misericórdia Nossa Senhora Aparecida, a Santa Casa de Presidente Bernardes, no dia 16 de maio, a instituição encaminhou a este diário, na noite desta quinta-feira, uma nota em que “reafirma seu compromisso permanente com a segurança do paciente, qualidade assistencial, rigor técnico, ética profissional e transparência institucional, permanecendo à disposição para esclarecimentos institucionais cabíveis”.
O idoso de 88 anos, morreu na Santa Casa de Misericórdia de Presidente Prudente, onde estava internado desde o dia 17 de maio, quando foi entubado, com ventilação mecânica, em estado considerado grave, depois de apresentar sinais vitais durante a preparação do corpo por uma funerária da cidade. Ele foi sepultado nesta quinta-feira, no Cemitério Municipal de Emilianópolis.
Após a liberação do corpo, no dia 16 de maio, no hospital de Bernardes, agentes funerários relataram ter observado possíveis sinais vitais enquanto realizavam a remoção no necrotério da unidade. A situação teria sido comunicada a integrantes da equipe de enfermagem que, no entanto, teriam atribuído os sinais a efeitos residuais de procedimentos médicos, sem realizar nova avaliação ou acionar equipe médica.
O corpo foi então disponibilizado à funerária. Já em Prudente, foram novamente identificados sinais vitais evidentes, sendo acionado o serviço de emergência, que conduziu o paciente à Santa Casa.
Posicionamento mantido
A nota da associação beneficente que administra o hospital de Bernardes, assinada pelo diretor clínico, Luccas Inague Rodrigues, e pelo presidente, Wilson Aparecido Henrique, e enviada à reportagem nesta quinta-feira, é a mesma divulgada no dia 20 de maio, em função da entidade ter decidido “manter o mesmo posicionamento”.
No comunicado, a diretoria médica informa que o paciente deu entrada na instituição apresentando quadro clínico de elevada gravidade, sendo prontamente submetido à avaliação e assistência pela equipe multiprofissional de plantão, composta por profissionais legalmente habilitados, observando-se os protocolos assistenciais, critérios técnicos e medidas terapêuticas pertinentes à condição clínica apresentada naquele momento.
Afirma que, durante o atendimento, foram adotadas as condutas médicas e de suporte consideradas indicadas conforme a avaliação clínica evolutiva do caso. “Diante da avaliação clínica realizada no momento do atendimento, foram adotados os procedimentos médicos pertinentes, por profissional legalmente habilitado, conforme critérios técnico-assistenciais aplicáveis”, detalhou.
Indica o hospital que, posteriormente, tomou conhecimento de informação referente à identificação de sinais vitais do paciente após sua transferência para serviço funerário, encontrando-se internado em Unidade de Terapia Intensiva de outra instituição hospitalar, sob assistência especializada.
“Em razão da gravidade, excepcionalidade e relevância técnico-assistencial do caso, a presidência e a diretoria médica determinaram a abertura imediata de sindicância interna, destinada à apuração integral, técnica, criteriosa e imparcial dos fatos, abrangendo a análise dos registros assistenciais, protocolos institucionais, fluxos operacionais e circunstâncias relacionadas ao atendimento prestado”, ressaltou.
“Por respeito ao paciente, aos familiares, aos profissionais envolvidos e à integridade do processo apuratório, esta instituição não antecipará conclusões antes da finalização da análise técnica, mantendo plena colaboração com as autoridades competentes e adotando todas as medidas administrativas e assistenciais eventualmente necessárias”, finalizou a nota.
Apuração em andamento
Como noticiado neste diário, Juraci recebeu alta da UTI e foi transferido para a enfermaria, com estado de saúde estável, na segunda-feira. Seu óbito, no entanto, foi confirmado na quarta-feira. Neste período de um mês em que o idoso esteve internado, as apurações sobre o caso pela Polícia Civil avançaram. Ao todo, oito depoimentos já tinham sido colhidos até a quarta-feira.
Outras oitivas devem ocorrer no transcorrer deste mês e as investigações seguem em andamento. O inquérito policial encontra-se atualmente em fase de produção de provas orais e aguarda a conclusão dos laudos periciais.