Imigração japonesa completa 112 anos

Mesmo com importantes eventos cancelados frente à ameaça do novo coronavírus, a comunidade japonesa foca as comemorações nos agradecimentos aos antepassados e aos brasileiros pela receptividade

REGIÃO - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 21/06/2020
Horário 05:17
Estevão Salomão: Todos os anos o vento cessa para que as velas do Shokonsai permaneçam todas acesas
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O sushi e o sashimi viraram moda no mundo todo.  Entrou até na onda do fast food (há quem diga que este é um bom motivo para o Japão declarar guerra ao Brasil). Brincadeira à parte, a cultura japonesa está no mundo inteiro, mas é importante lembrar que aqui no Oeste Paulista, não se trata apenas do jantar de sábado à noite, ou do karaokê no barzinho. Nestas terras, a cultura nipônica faz parte do estilo de vida, seja dos descendentes ou não. O primeiro passo dessa união cultural ocorreu no dia 18 de junho de 1908, quando atracou no Porto de Santos o navio “Kasato Maru”. Ontem, o início da imigração japonesa para o Brasil completou 112 anos.

O presidente da Acae (Associação Cultural, Agrícola e Esportiva de Presidente Prudente), Yoshinori Yassuda, lembra que, em cerca de 10 anos após a chegada dos primeiros 781 imigrantes japoneses ao Brasil, eles já estavam se fixando nas cidades do interior de São Paulo. Isso é evidenciado pela data que foi realizado o primeiro Shokonsai (convite às almas para a missa- uma celebração japonesa dos finados), exatamente em 1920 (em 2020 completa 100 anos).

“Graças a Deus, nestes 112 anos, só temos a agradecer pela acolhida dos brasileiros. A colônia aqui é muito forte por isso, as pessoas da região se adaptaram e gostam da cultura japonesa”, completa Yassuda.

O vice-presidente da Aceam (Associação Cultural, Esportiva e Agrícola Nipo-Brasileira de Álvares Machado) e coordenador do Shokonsai, Luiz Takashi Katsutani lembra ainda da importância econômica da colônia japonesa para as cidades da região, com o exemplo de Álvares Machado, que sedia o Grupo Matsuda, de propriedade do saudoso Jorge Matsuda e a Mecânica Implemaq, de Alberto Sano.

FESTIVIDADES CANCELADAS

No Dia Nacional da Imigração Japonesa no Brasil, um vídeo do presidente da Bunkyo (Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social), Renato Ishikalwa, circulou entre os nipo-brasileiros. Em discurso, Ishikawa lembrou da pandemia: “Vivemos nos dias atuais, uma crise sanitária mundial provocada pelo novo coronavírus, que tem nos obrigado a abandonar a convivência social e tem provocado uma incrível angústia diante do possível contágio. Acredito que para conter o avanço desta doença, nunca foi tão importante praticar diariamente as posturas valorizadas pela sociedade nipo-brasileira: cooperativismo, fortalecimento dos laços de união, solidariedade, empatia, espírito comunitário, entre outros”, disse.

Por isso mesmo é que a comunidade japonesa da região decidiu que não faria comemorações presenciais da data. Somente lives promovidas com a Bunkyo com apresentações de danças típicas, karaokê e o discurso do presidente.

“Graças a Deus, nestes 112 anos, só temos a agradecer pela acolhida dos brasileiros. A colônia aqui é muito forte por isso, as pessoas da região se adaptaram e gostam da cultura japonesa”
Yoshinori Yassuda

Realizada sempre no mês de junho, em referência ao aniversário da imigração, o Nikkei Fest, promovido pela Acae, foi cancelado. “Estava 99% pronto até que veio a pandemia”, conta Yassuda. Para se ter noção da grandiosidade do evento, em três dias, 30 mil pessoas passam por lá e mais de uma tonelada de sashimi de salmão é vendida.

Outro tradicional evento que foi cancelado é o Shokonsai, que no centésimo ano receberia uma grande festividade. Na data, o segundo domingo de julho, dia 12, Takashi afirma que o cemitério japonês estará aberto à visitação, contanto que todos visitantes sigam as normas sanitárias (máscaras, higienização das mãos e distanciamento social). “Estamos montando o parque das cerejeiras no cemitério. Fizermos um lago, planejávamos plantar 200 cerejeiras, mas a pandemia desacelerou. Por enquanto temos 50 plantadas”, afirma.

 


Reprodução:  Aceam está montando o parque das cerejeiras aos arredores do cemitério, veja o projeto

 

 

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