Inflação e estabilidade política

OPINIÃO - Thiago Granja Belieiro

Data 12/08/2021
Horário 04:30

Desesperador. É com essa palavra que tenho visto as pessoas comentarem a escalada dos preços no Brasil, a inflação, fantasma da história recente do país, deixou de ser apenas parte de um passado assustador, para se tornar uma realidade desesperadora. Para grande parte dos brasileiros, a inflação mina o poder de compra, diminui a qualidade de vida e nos faz viver com menos, cada vez menos. Para quem recebe R$ 1.100 por mês, a inflação rouba a dignidade, o pão, a carne, a energia e o gás. 
Tivemos, ao longo do século XX, uma longa e dramática história com a inflação. No início da Ditadura Militar, a inflação girava em torno de 92% ao ano. Na redemocratização, no início do governo Sarney, o índice alcançava 242% ao ano, chegando a incríveis 1972,91% quando Collor foi eleito na primeira eleição democrática do país em mais de 25 anos. A hiperinflação, com a qual convivemos tragicamente até a criação do Plano Real, está guardada na memória dos brasileiros como um dos momentos mais difíceis de nossa história. 
A democracia e a estabilidade política que ela representa, foi um mecanismo importante para a estabilização econômica e o controle inflacionário, cujo mérito é sem dúvidas do Plano Real. O plano, concebido no governo Itamar Franco, foi continuado mais tarde na gestão tucana e petista que, apesar das diferenças, convergiram na manutenção da política econômica, da estabilidade política e do controle inflacionário. 
Contudo, a instabilidade política, que nos acompanha desde 2013, tem alimentado a volta dos índices inflacionários a limites intoleráveis. Em 2015, pouco antes do impeachment da presidente Dilma Roussef, o índice chegou a 10,67%, se estabilizando em torno de 3,75% no início do atual governo. Contudo, a pandemia, o recrudescimento da crise econômica e, principalmente, a orientação liberal do governo e suas constantes crises políticas, têm feito os índices subirem quase diariamente. 
“O termômetro da Revolução é o preço do trigo”, assim o historiador inglês Eric Hobsbawm explica a correlação entre inflação e convulsão social para a explicar a violência da Revolução Francesa. A pergunta que fica é, até onde os preços irão subir para que a população desperte do seu torpor e faça a sua revolução?
 

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