Juiz determina reintegração de casa invadida por mãe

PRUDENTE - Mariane Gaspareto

Data 08/04/2016
Horário 08:14
 

"Senhor juiz, eu me chamo Gabriela, tenho 10 anos, e venho pedir uma ajuda especial para minha família". É assim que se inicia a carta feita à mão pela criança, em uma folha arrancada de seu caderno escolar, após a determinação judicial da reintegração de posse da casa invadida, onde vive com sua mãe e seus quatro irmãos desde junho de 2015, no Residencial Cremonezzi.

Aline Cristina Campos de Oliveira, 29 anos, vivia de favor na casa de sua sogra com seus cinco filhos: Gustavo, de 9 anos; Guilherme, 8 anos; Giovani, 6 anos; Gabriel, 5 anos, além de Gabriela. Aline, entretanto, é mais uma vítima daquilo que, segundo a ONG (organização não governamental) Action Aid, é responsável pela morte de cinco mulheres por hora no mundo: a violência doméstica – conforme relata sua filha.

Jornal O Imparcial De acordo com Aline, casa invadida estava abandonada

"Na casa da minha avó, meu pai batia muito na minha mãe, e a ameaçava. Um dia, ele chegou bêbado e machucou a minha mãe, que saiu de casa comigo e meus irmãos", conta. Foi aí que se iniciou a saga de Aline na busca por um lugar onde morar. Ela conta que procurou a Prefeitura, a Câmara, igrejas e diversas outras instituições, além de amigos e conhecidos que pudessem fornecer um local, com aluguel barato, mas todas as portas foram fechadas para Aline e seus cinco filhos.

"Eu estava desesperada, não tinha onde dormir, e fiquei sabendo dessa casa aqui que não estava ocupada há oito meses, que era utilizada só por usuários de drogas. Quando cheguei estava tudo destruído, com buracos na parede, janelas quebradas e até a porta estava arrombada", conta. E mesmo assim, por ali, Aline ficou. Arrumou móveis e eletrodomésticos em um grupo no Facebook, todos doados, e passou a obter auxílio de instituições religiosas para pagar contas, além de ser beneficiária do programa Bolsa Família, do governo federal.

Da casa suja e danificada, Aline fez um lar: plantou quiabos, arrumou tijolos para fazer um muro, e foi tocando a sua vida, de desempregada, vendendo salgados para obter sustento. E ela se sentia no direito de ter esse lar, afinal, se inscreveu na seleção do residencial e chegou a ficar como suplente. A pseudo-segurança da jovem mãe, no entanto, se encerra agora, após a titular da casa ter ajuizado ação para retomar seu imóvel, que está invadido. Em decisão do dia 17 de março, a Justiça deferiu a reintegração de posse, para cumprimento forçado. A data-limite para que saia do local, conforme Aline, é até hoje, às 10h.

Ela chegou a ir à SAS (Secretaria de Assistência Social) procurar por uma vaga em um abrigo, uma acomodação temporária, mas ainda não conseguiu solucionar sua situação. Procurada para abordar a situação da jovem, a secretária Maria Helena Veiga Silvestre informou que ainda não havia tido ciência da situação específica da Aline, apesar de ter conhecimento da ocorrência de invasões no Cremonezzi. Apesar de não poder responder pelos aspectos legais da situação, a titular salientou que a pasta está disposta a fornecer acomodações temporárias à família. "A única coisa que eu quero é uma moradia, um lugar para ficar, não precisa ser aqui, eu só quero uma casa pelos meus filhos", pede Aline.

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