Lugar de mulher é onde ela quiser!

OPINIÃO - Paula Carneiro

Data 17/03/2026
Horário 05:00

Caro leitor, o artigo de hoje celebra a passagem do Dia Internacional da Mulher, ocorrida dia 8 de março passado. Para bem celebrar tal passagem, vamos exaltar as conquistas femininas, mas primeiramente é importante diferenciar as concepções existentes sobre cultura. A Sociologia e a Antropologia identificam a cultura como forma de vida praticada por meio de valores, normas, costumes e símbolos comuns à sociedade. Sendo assim, povos desenvolvem costumes e crenças conforme o aprendizado cotidiano ou por referências herdadas de antepassados.
Sendo assim, somos seres sociais e herdamos crenças e costumes de nossos antepassados, porém, foi a partir dos anos 1960 que se vivenciou um período de significativas mudanças sociais, culturais e políticas que permitiu diversificar a forma das pessoas entenderem o mundo e da forma como se relacionavam política e socialmente com ele.  Esse momento, com relação à atuação da mulher na nossa sociedade, foi decisivo para que elas deixassem de ter uma posição de submissão legal e doméstica para uma busca ativa por igualdade, autonomia econômica e direitos políticos.
Mesmo assim, com a modificação sendo um processo comum entre as culturas, ainda havia muitas questões nas quais se mantinham suas tradições, seu costumes, sem incluir novos comportamentos ao cotidiano. Uma dessas questões era a atividade política, na qual se mantinha restrita à inserção de mulheres. Não obstante, com grande esforço, alguns espaços públicos foram sendo conquistados, e a atuação das mulheres foi decisiva na retomada da democracia, após 20 anos de Ditadura Militar.
Outrossim, foi o movimento feminista de caráter fundamental para a expressão das insatisfações com o cenário de desigualdade entre homens e mulheres. Essa expressão não foi organizada por uma única instituição, mas se deu por manifestações coletivas ou ainda individuais daquelas que se comprometeram em propagar publicamente os ideais da igualdade e dar voz a quem sempre foi silenciada.
Apesar de inúmeras conquistas ao longo das décadas, a luta por igualdade de gênero ainda é um grande desafio, pois as principais barreiras no mercado de trabalho ainda são diferença salarial entre homens e mulheres, dificuldade de ascensão a cargos de liderança, preconceito em áreas historicamente masculinas, falta de políticas de inclusão e equidade de gênero nas empresas.
Por tudo isso, a mulher acumula funções, se faz múltipla dentro e fora de casa e seu ideal de mulher passa da princesa dos contos de fada, salva por um homem que lhe desperta e liberta para a vida (SIMÕES, 2011), à heroína com superpoderes. (ROCHA-COUTINHO, 2004). 
Parabéns mulher!!!! Que o 8 de março continue sendo um marco de luta, reflexão e avanços, impulsionando ações concretas para garantir que todas as mulheres tenham voz, respeito e igualdade de oportunidades.   
      
Referência

ROCHA-COUTINHO, Maria Lúcia. Novas opções, antigos dilemas: mulher, família, carreira e relacionamento no Brasil. Temas psicol. [online]. 2004, vol.12/ SIMÕES. M. C. (2011) Desfiando as amarras patriarcais: a subversão do mito de Penélope em “a moça tecelã”, de Marina Colasanti. Revista Garrafa, UFRJ, Rio de Janeiro, 24(1).  

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