Para muitas mulheres, descobrir uma gravidez após os 40 anos provoca uma mistura de surpresa, incredulidade e felicidade profunda. Em uma fase da vida em que muitas já reorganizaram suas prioridades, consolidaram carreira, criaram outros filhos ou até acreditavam que a maternidade não aconteceria mais, o teste positivo pode surgir quase como um reencontro inesperado com um sonho antigo – ou como o início de um capítulo completamente novo.
A surpresa costuma vir primeiro. Algumas mulheres passam anos ouvindo sobre a redução natural da fertilidade depois dos 40 e, por isso, deixam de considerar a possibilidade de engravidar. Quando a confirmação chega, há aquele momento de silêncio, de olhar fixo no exame, tentando entender se aquilo é real. Algumas relatam sentir um misto de choque e emoção, como se a vida tivesse decidido entregar algo improvável justamente quando elas já não esperavam.
Foi assim com a Letícia e com a Elisangela, duas mulheres que vivenciaram a experiência de ser mãe novamente após os 40. O Imparcial conversou com elas.
A farmacêutica Letícia Salim Tunes Morinaga, 48 anos, é mãe de Mariana (21 anos), Adriano (15 anos) e Cecília (1 ano e 5 meses). “Tive um atraso menstrual [dois dias] e achei que era normal até pela idade, na época tinha 46 anos. Fiz o teste por brincadeira e quase morri de susto quando vi os dois riscos”, relembra.
Elisangela Aparecida dos Santos Andrade, 46 anos, empregada doméstica, é a mãe da Lyra (12 anos) e do Noah (1 ano e 8 meses). “A gravidez não foi planejada. Foi uma bomba. Grávida aos 44 anos. Foi muito assustador”, afirma.

Foto: Cedida - Letícia e os filhos Mariana (21 anos), Adriano (15 anos) e Cecília (1 ano e 5 meses)
Depois do impacto inicial, a felicidade costuma surgir de forma profunda e madura. Letícia conta que no primeiro momento foi desesperador. “Assustei, chorei, fiquei cheia de medos, pela idade, por ter que recomeçar. Meus amigos do trabalho, que foram os primeiros a saber, pois fiz o teste no trabalho, me deram muito apoio e amor. Meu marido me acalmou e tivemos muito suporte dos nossos filhos”, recorda.
Ela e o marido foram ao médico que havia feito seus dois outros partos. “A primeira consulta nos deixou ainda mais amedrontados. Tudo que há de ruim o médico foi pontuando, não tivemos o acolhimento que estávamos precisando. Fomos em outra médica, que nos acolheu com muito carinho, passando segurança e tranquilidade. Desde então, foi a gravidez mais tranquila de todas, mesmo aos 46 anos de idade”, denota.
Elisangela diz que sua gravidez também foi tranquila, mas teve medo. “Tinha medo por causa da idade, da criança nascer com algum problema. Mas a minha gestação foi cercada de cuidados. Passei por dois médicos pra poder ter uma gravidez mais tranquila e realmente foi”, expõe.

Foto: Cedida - Ao lado da filha Lyra, Elisangela quando estava grávida de Noah
As duas ressaltam que a maturidade veio acompanhada de consciência e responsabilidade. “A experiência muda tudo, hoje consigo levar tudo com mais tranquilidade, mesmo em relação aos outros filhos. Parece que essa gravidez tardia veio para acalmar”, avalia Letícia.
Elisangela conta que teve uma infância muito difícil, mas que hoje procura criar os filhos com muita conversa. “Eu converso muito com eles, explico a realidade da vida, não escondo nada. Eu explico logo a real de como as coisas são, de como as pessoas são, de como a vida é”, pondera.

Foto: Cedida - Letícia ficou grávida de Cecília aos 46 anos
Para essas mulheres, a gravidez após os 40 não é apenas uma surpresa biológica, é também uma experiência carregada de significados, esperança e redescoberta da capacidade de recomeçar, e tudo isso é sinônimo de ser mãe. “Ser mãe é o maior presente que Deus pode dar”, diz Letícia.
“Meus filhos são tudo para mim. Ser mãe também é muito assustador. Cada dia vivido é uma experiência nova e assustadora. Criar os filhos hoje em dia pode ser muito difícil. É preciso conversar muito, orientar, mostrar o caminho certo”, pontua.

Foto: Cedida - Letícia com a filha Cecília