Maria Gadú enaltece sua banda e é ovacionada na Virada Cultural em PP

VARIEDADES - Oslaine Silva

Data 25/05/2016
Horário 11:12
Frio, mas sem chuva, logo no início de um dos shows mais esperados da 10ª Virada Cultural em Presidente Prudente, Maria Gadú (voz, guitarra e violão) surpreendeu seu público. Em tempos de maldade, ódio e discriminação, ela prega a igualdade, o amor e o respeito. Posicionada mais ao fundo do palco, em linha reta com seus músicos - Federico Puppi (violoncelo, baixo), Lancaster Pinto (baixo), Doga (percussão) e Tomaz Lenz (bateria) -, a galera começou a pedir que ela viesse um pouco mais à frente e ela então explicou com sua educação peculiar que aquela posição tinha dois motivos: primeiro que seu equipamento estava instalado até aquele limite, não tinha como ir mais adiante. E segundo: "Esta é uma formação proposital porque gosto de estar junto deles. Somos uma banda. Somos um e precisamos desmistificar o fato de que o cantor tem que ficar sempre à frente e os músicos atrás", frisou a cantora sendo ovacionada por todos.

Jornal O Imparcial Maria Gadú fechou programação da Virada ovacionada pelo público

A cada canção o coro do seu público era como complemento de suas composições. Ao final do show, Maria Gadú disse que se sentiu abraçada por todas aquelas pessoas ali expostas ao vento, a um frio congelante, gramado enlameado, todas encasacadas, mas se aquecendo umas às outras e ela em todos, por um calor humano sem igual.

"Confesso que pela manhã quando chegamos para montar tudo e vi a dimensão do lugar fiquei preocupada com o lance da chuva, porque tem alguns morrinhos no parque onde o público fica. Mas, deu tudo certo e até fiquei feliz porque estamos numa seca à beça. Foi lindo!", exclamou a cantora.

Comentando sobre os tempos difíceis em que as pessoas estão se virando umas contra as outras, por conta de política, Maria Gadú diz que infelizmente as pessoas estão se esquecendo de que são seres humanos, cultivando uma briga de egos, uma ordem de poderes que é algo que tira um pouco o indivíduo do centro da existência. E para ela fica muito mais simples existir para ser feliz, para fazer o que gosta e respeitar o próximo.

"Não subestimando a alegria das pessoas, mas eu acho que sou muito mais feliz do que quem não vive assim. É como o lance de posicionamento da banda, não existe um podio no palco. As pessoas é que costumam classificar que cantor é artista e o resto é músico. Eu sou musicista, somos todos artistas, estamos no mesmo patamar, assim como no amor ou qualquer outra plataforma de assunto que abordemos como credo, cor, raça... Minha posição é muito neutra, só quero ser feliz e fazer o que eu gosto", enfatiza Maria Gadú.

 

Ouro da casa

O sol não quis dar o ar de sua graça no domingo, mas mesmo assim isso não foi impedimento para que Ricardo Girardi (vocal), Bruno Lima (guitarra), Lucas Mesquita (baixo) e Marcelo Zureba da banda prudentina Karburalcool, - a primeira a subir ao palco externo no Parque do Povo -, fizessem bonito.

Sim, o público fiel do rock and roll marcou presença, como os grupos Boinas Pretas da cidade e de Presidente Venceslau e do 100 Fronteiras Moto Clube. Além, da Brigada dos Lobos, que entre seus integrantes aquecidos nas canções do quarteto, estavam Waltair Valera e Fernando Valim Motta, ambos de 25 anos. "Poderia estar o tempo que fosse que viríamos prestigiar a banda, que além de muito boa, os integrantes são nossos amigos", destacou Waltair.

Após o show, Ricardo agradeceu a presença da galera, pois mostra o reconhecimento do trabalho da banda. "Chuva e frio! E mesmo assim a galera veio vestida com nossas camisetas, ficou na frente do palco cantando nossas músicas. Isso é realmente importante para a gente, mais do que tocar para 30 mil, porque são pessoas que gostam da gente e independente do clima vieram para ver a banda", agradeceu o vocalista.

Desde 2012 na estrada, a banda que já abriu shows de nomes importantes do cenário do rock, ídolos deles como, no Thermas do Rock, projeto do Sesc, com Os Raimundos; Golpe de Estado em Araçatuba, Krisium, Carro Bomba, entre outros, participou pela primeira vez da Virada.

Para Ricardo, evento que tem dimensão nacional projeta a banda, pois estão tocando aqui, mas o Brasil inteiro está vendo a programação, o visual, o som deles, o que pode interessar a quem ouve. Como aconteceu com ele recentemente, quando se inscreveu na audição do STP (Stone Temple Pilots) uma das principais bandas estadunidense da história do rock mundial, para ser o novo vocalista do grupo.

"Para participar tive que criar um perfil, como se fosse uma rede social americana que se chama Indaba, publicar duas canções e trabalhos da minha banda. Depois recebi um e mail informando que entre cerca de 10 mil candidatos eu havia ficado entre os 100 selecionados. Estou aguardando, mas até agora não divulgaram nada", informa o vocalista da banda que lançou o primeiro álbum em 2012; em 2015 um EP com três músicas que vão entrar no próximo disco (concreto) que será composto por 10 ou 11 composições.

 

De Salvador

Direto da Bahia, a segunda banda que tomou o palco do Parque do Povo e não se entristeceu com um público menor por conta da temperatura foi a Maglore, composta por: Teago Oliveira (voz e guitarra); Rodrigo Damati (voz e baixo) e Felipe Dieder (bateria). Há sete anos na estrada, o trio baiano já rodou por São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Bahia, etc.

Segundo Teago, a banda canta canção popular que caminha entre a MPB (Música Popular Brasileira) e o rock, ficando então um som pop pela canção com a mistura de rock e MPB. O público conferiu a apresentação de músicas do terceiro disco do trio chamado "Três", lançado em 2015.

"A gente entende que a chuva, que veio bem forte, afasta muito a galera, inclusive perdemos toda a cena da passagem de som, mas não desanimamos e nos viramos com o que tinhamos, contamos com o apoio da galera da organização muito prestativa e o público curtiu", salientou o vocalista.

Teago menciona que já fizeram outras Viradas, como em Botucatú e que é sempre sucesso. "Pretendemos agora concluir os trabalhos de divulgação do ‘Três’, vamos lançar alguns clipes até o final do ano e quem sabe algumas músicas para o novo disco que provavelmente saia no início do ano que vem. Nosso muito obrigado a Presidente Prudente. Foi show!", agradeceu o vocalista da Maglore.

 

Outras atrações

Ainda no domingo, no palco interno da Virada, no Teatro Paulo Roberto Lisbôa, no Centro Cultural Matarazzo, teve apresentação da Orquestra do Projeto Guri - Polo Regional de Presidente Prudente pela manhã; e à tarde, circo e teatro com "Reprise" – Lá Mínima.

Na Área de Convivência do Sesc Thermas teve apresentação de "Humanus Comicus", um espetáculo divertido, provocador, terapêutico e cheio de imaginação, uma original paródia do mundo do circo, que convida o público a rir e também refletir.

"Ficamos preocupados com a possibilidade de mudanças climáticas. Mas, tranquilos ao mesmo tempo porque no ano passado independente da chuva que caiu a população local, da região e até de Estados vizinhos abraçou a Virada. E nesse ano a programação veio mais encorpada, foi disseminada nas redes sociais o que nos deu expectativas boas desde o início. Mas, realmente fomos surpreendidos", destacou um dos coordenadores do evento pela Secult (Secretaria Municipal de Cultura), Tiago Ferreira.

 

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