Mercado imobiliário da região desacelera em maio, aponta levantamento do Creci

Em relação a abril, vendas recuaram 37,34% e locações, 10,33%; apesar disso, perfil da demanda permanece concentrado em imóveis econômicos, especialmente casas de bairros em expansão

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 06/07/2026
Horário 17:44
Foto: Maurício Delfim Fotografia/Arquivo
Compradores e locatários priorizam imóveis situados fora das regiões centrais e com valores mais acessíveis
Compradores e locatários priorizam imóveis situados fora das regiões centrais e com valores mais acessíveis

O mercado imobiliário de Presidente Prudente e região apresentou retração em maio de 2026. De acordo com levantamento do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), as vendas de imóveis residenciais usados recuaram 37,34% em relação ao mês anterior, enquanto o segmento de locações também registrou leve redução na atividade (-10,33%). Apesar da desaceleração, os indicadores revelam que o perfil da demanda permanece estável e concentrado em imóveis voltados ao público familiar, especialmente casas localizadas em bairros de expansão urbana.

"A redução das transações pode ser associada a fatores econômicos que vêm influenciando o comportamento dos consumidores, entre eles a manutenção de juros ainda elevados para parte das linhas de crédito, maior rigor na concessão de financiamentos, expectativa quanto ao comportamento da economia e necessidade de maior planejamento financeiro por parte das famílias", avalia o conselho.

"Nesse contexto, observa-se um mercado mais seletivo, em que compradores e locatários priorizam imóveis com melhor relação entre preço, localização e custo de manutenção, favorecendo empreendimentos situados fora das regiões centrais e com valores mais acessíveis", completa.

Preferência por casas

Mesmo com a retração das negociações, a pesquisa demonstra que o perfil das operações praticamente não sofreu alterações. As casas responderam por 72% das vendas, enquanto os apartamentos representaram 28%, confirmando a preferência regional por imóveis horizontais, normalmente associados a maior espaço interno, quintais e melhor adequação às necessidades das famílias.

A distribuição geográfica também reforça essa tendência. Mais da metade das vendas (53,3%) ocorreu nas demais regiões da cidade e municípios pesquisados, enquanto 26,7% concentraram-se em bairros nobres e apenas 20% nas áreas centrais. O resultado evidencia que os bairros de expansão continuam oferecendo melhor custo-benefício e permanecem entre os principais destinos da demanda imobiliária regional.

Menor valor

O levantamento aponta predominância das negociações nas faixas de menor valor. Os imóveis de até R$ 200 mil responderam por 35% das vendas, percentual idêntico ao registrado na faixa entre R$ 201 mil e R$ 300 mil. Já os imóveis entre R$ 301 mil e R$ 400 mil representaram 15% das transações, aqueles entre R$ 401 mil e R$ 500 mil corresponderam a 5%, enquanto os imóveis acima de R$ 501 mil participaram com 10% dos negócios realizados.

"O comportamento demonstra que o mercado regional permanece sustentado principalmente pelos segmentos econômico e intermediário, embora continue existindo demanda para imóveis de padrão mais elevado", pondera o Creci.

Financiamento é motor

O crédito imobiliário permanece como o principal instrumento para viabilizar a aquisição da casa própria. Em maio, 42,9% das vendas utilizaram financiamento concedido pela Caixa Econômica Federal, reafirmando a importância da instituição para o mercado habitacional da região. Outros 21,4% recorreram a financiamentos por instituições financeiras privadas, enquanto 21,4% das compras foram realizadas à vista. As negociações diretas com os proprietários responderam por 14,3% das operações.

"Os números evidenciam que o desempenho do mercado imobiliário permanece fortemente condicionado à disponibilidade de crédito e às condições de financiamento oferecidas ao consumidor", avalia o conselho.

Imóveis econômicos

No segmento de locação, a pesquisa mostra predominância dos imóveis com aluguéis mais acessíveis. Os contratos de até R$ 1.000 representaram 45,5% das locações realizadas, enquanto 27,3% situaram-se entre R$ 1.501 e R$ 2.000. Os imóveis com aluguel superior a R$ 3.001 responderam por 9,1% da amostra, demonstrando que a maior parte da demanda continua voltada às faixas compatíveis com a renda média das famílias da região.

"O perfil dos imóveis locados acompanha essa realidade, com predominância de casas de dois dormitórios e áreas entre 51 e 100 metros quadrados, características que atendem principalmente famílias em busca de moradias funcionais e com custos moderados", explica.

Garantia locatícia

Entre as garantias utilizadas nas locações, o fiador manteve ampla liderança, presente em 66,7% dos contratos celebrados. O seguro-fiança apareceu em 33,3% das operações, enquanto o depósito caução não foi registrado na amostra pesquisada. O resultado demonstra que proprietários e administradores ainda priorizam modalidades consideradas tradicionais e que oferecem maior segurança jurídica durante a vigência dos contratos.

Ambiente econômico

"A expectativa do mercado para os próximos meses permanece diretamente ligada ao comportamento da economia, à evolução das taxas de juros, à estabilidade do emprego e às condições do crédito imobiliário. Caso esses indicadores apresentem melhora, a tendência é de retomada gradual da atividade, sobretudo nos segmentos de imóveis econômicos e de padrão intermediário, que concentram a maior parte da demanda regional", diz o Creci.

Segurança nas negociações

O conselho ressalta que, diante de um mercado cada vez mais criterioso, a atuação do corretor de imóveis "torna-se ainda mais relevante tanto nas vendas quanto nas locações". "Profissional legalmente habilitado, o corretor possui conhecimento técnico para realizar a intermediação, analisar a documentação dos imóveis e das partes envolvidas, orientar sobre modalidades de financiamento, avaliar riscos jurídicos, conduzir negociações e proporcionar maior segurança durante todas as etapas da transação", denota.

"Além de contribuir para a transparência dos negócios, a intermediação profissional reduz riscos para compradores, vendedores, locadores e locatários, assegurando que as operações sejam conduzidas com observância da legislação e das normas éticas da profissão, fortalecendo a confiança e a segurança do mercado imobiliário", pontua.

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