Mais do que uma data simbólica, o Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo, é um momento de reflexão sobre conquistas, desafios e, principalmente, sobre o protagonismo feminino em espaços de liderança. Na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), mulheres ocupam posições estratégicas à frente de cursos e áreas historicamente marcadas por desigualdades de gênero e transformam realidades por meio da educação.
À frente do curso de Medicina Veterinária, a diretora Glaucia Prada Kanashiro acompanha de perto a evolução da presença feminina na profissão. Formada em 1996, ela lembra que, embora sua turma já fosse majoritariamente feminina, muitas áreas ainda eram vistas como territórios masculinos. “Hoje, as mulheres ocupam cada vez mais espaço na Medicina Veterinária. Essa evolução mostra que competência não tem gênero e que a presença feminina vem fortalecendo a profissão”, afirma.
Para Glaucia, liderar vai além da gestão acadêmica. “Ter um papel de liderança requer empatia e equilíbrio entre firmeza e sensibilidade humana. Conduzir o curso é cultivar ética e responsabilidade dentro e fora da sala de aula”, pondera. Mãe, avó e inspirada pela própria mãe, ela reconhece que o instinto materno influencia sua forma de liderar. “Ouvir meus alunos com olhar de mãe auxilia muito na convivência e na formação deles”, considera.
Na área de negócios, a coordenadora da BSU (Business School Unoeste) e diretora da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, Nancy Okada, construiu sua trajetória pelo reconhecimento profissional. Iniciou como docente e assumiu funções de liderança a partir do desempenho e da dedicação ao trabalho. “Minha nomeação foi resultado do reconhecimento do trabalho. Sempre busquei cumprir minhas responsabilidades e sugerir melhorias”, destaca.
Nancy defende uma liderança humanizada, baseada em ética, escuta ativa e comunicação não violenta. “Você lidera pelo exemplo. Valorizar as pessoas, reconhecer atitudes éticas e praticar o respeito cria um ambiente inclusivo”, denota. Para ela, estudar e confiar na própria capacidade são pilares para mulheres que desejam empreender ou ocupar cargos estratégicos. “É preciso se preparar, confiar nas decisões e inovar. E, principalmente, ser você mesma”, observa.

Foto: Ector Gervasoni - Nancy Okada defende liderança humanizada e formação ética de gestores
Em um campo tradicionalmente masculino como a Engenharia, a coordenadora dos cursos de Química e Engenharia Química, Patrícia Alexandra Antunes, reforça a importância da representatividade. Dados da ONU (Organização das Nações Unidas) Mulheres indicam que pouco mais de 30% das formadas estão nas áreas de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). Na Unoeste, o cenário ainda reflete esse desafio: 28,2% das estudantes de Engenharia Química são mulheres.
“Quando vemos outras mulheres ocupando posições de liderança, quebramos estereótipos e validamos esses espaços”, afirma Patrícia. Ela atua incentivando alunas a enfrentarem desafios e coordena iniciativas como o projeto “Meninas na STEM”, que aproxima estudantes da educação básica do ambiente universitário. “Elas precisam se ver nesses lugares e entender que podem estar onde quiserem, sendo no laboratório, na indústria ou liderando equipes”, enfatiza.
Equilibrar vida profissional, família e autocuidado é, segundo Patrícia, um exercício constante. “É uma balança. Há períodos de maior demanda profissional, outros da família. O importante é sempre voltar ao eixo central”, diz.
As três coordenadoras compartilham uma convicção: ocupar espaços de decisão é também abrir caminhos para outras mulheres. Ao aliarem competência técnica, sensibilidade e liderança ética, elas reafirmam que o empoderamento feminino não é apenas um discurso, mas prática cotidiana. “Não deixem que estereótipos limitem seus sonhos, ocupem seus espaços e transformem a realidade com conhecimento e paixão”, ressalta a professora Glaucia.

Foto: Ector Gervasoni - Patrícia incentiva representatividade feminina nas áreas de STEM