Músculos acumulam gordura 

Jair Rodrigues Garcia Júnior

Normalmente consideramos que os músculos são um tipo de tecido e a gordura é outro tipo (conjuntivo especializado), ficando separados e, cada qual com sua função em nosso corpo. Mas, há uma condição na qual a gordura fica junto e impregnada nos músculos, como naquelas peças de “carnes gordas” preferidas para o churrasco do final de semana. Em algumas pessoas ocorre a infiltração de gordura intramuscular, que recebe o nome de mioesteatose. 

QUALIDADE MUSCULAR
Há recomendação para que as pessoas realizem regulamente treinamento de força (ex. musculação e levantamento de peso olímpico), o que é normalmente associado à hipertrofia, ou seja, aumento dos músculos. Porém, o aspecto mais importante é da qualidade dos músculos treinados, pois melhora a composição das fibras, a função (força, potência) e a capacidade metabólica, não apenas do próprio músculo, como também para regular o metabolismo da glicose e das gorduras.

OBESIDADE E MÚSCULOS
Pessoas obesas podem manter ou até aumentar o volume de músculos, porém a qualidade desses músculos é pobre nos aspectos mencionados acima. Na obesidade as células adiposas, que acumulam mais gordura, ficam disfuncionais, o que provoca o estado de inflamação sistêmica. Além disso, aumenta a gordura circulante (dislipidemia), que se infiltra e se acumula em órgãos e nos músculos, caracterizando a mioesteatose. A disfunção das mitocôndrias (organelas celulares que produzem energia) e a resistência à ação da insulina nos músculos são dois dos prejuízos dessa condição. 

MIOESTEATOSE 
Essa condição de gordura acumulada empobrece a qualidade muscular (composição, função e regulação metabólica). A dislipidemia, a qualidade muscular pobre e a resistência à insulina provocam um ciclo vicioso configurado com inflamação sistêmica e desequilíbrio metabólico. É o padrão encontrado no obeso sedentário, com doenças metabólicas e maior risco de mortalidade. Enquanto, em pessoas com peso corporal normal e, principalmente, naquelas treinadas, os músculos são ativos combatentes da inflamação sistêmica, por meio de suas miocinas. 

SAÚDE CARDIOMETABÓLICA
A mioesteatose e a qualidade muscular pobre podem representar um fator de risco para obstrução das artérias coronárias e doenças cardiovasculares. Estudos com pacientes diagnosticados com aterosclerose mostram que a maioria apresenta diferentes graus de mioesteatose nos músculos esqueléticos. Esse fator se junta à inflamação sistêmica e outras comorbidades, aumentando o risco de doença cardiovascular e mortalidade.

ENVELHECIMENTO
Entre as várias características do envelhecimento está a infiltração a acúmulo de gordura no fígado, coração e músculos esqueléticos, impactando na função destes órgãos e tecido. A mioesteatose está relacionada à diminuição da massa muscular, fragilidade, diminuição da mobilidade e recuperação mais demorada após lesões. A evolução dessa condição é a sarcopenia, como consequência também da diminuição dos hormônios sexuais e desenvolvimento de resistência anabólica (menor síntese proteica). Prevenir e tratar a obesidade, e manter a massa e qualidade muscular, especialmente após os 35 anos é essencial, por meio de exercício físico, dieta adequada e outros recursos, quando necessário.


A mioesteatose, com gordura acumulada nas fibras musculares, empobrece a qualidade muscular em sua composição, função e regulação metabólica.  

Referências

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