Com expectativa prévia de recolhimento de 60 t (toneladas) de eletrônicos inservíveis, como pilhas, celulares, televisores, monitores, carregadores, mouses, cabos, entre outros itens, o 11º Mutirão de Lixo Eletrônico de Presidente Prudente seguiu a mesma logística. Anteontem, na sexta-feira, os caminhões percorreram os distritos de Ameliópolis, Eneida, Floresta do Sul e Montalvão. E, ontem, simultaneamente no Parque do Povo de Prudente, das 8h às 16h, e no Conjunto Habitacional Ana Jacinta, das 9h às 13h.
Rogério Marcus Alessi, que responde pela Setec (Secretaria Municipal de Tecnologia da Informação), se alegra com a participação maciça da comunidade não só do município, mas de várias cidades da região. “A sociedade entendeu e participa. Junta o material e aguarda o mutirão. Isso é importante e demonstra que as pessoas têm a consciência ambiental de fazer a coisa certa e o evento ajuda no descarte adequado. Em 2009 tivemos duas edições. Começamos com 30 toneladas e temos mantido uma média de 50 a 60, totalizando 500 toneladas até hoje”, ressalta o secretário.
Todos os anos, os participantes do mutirão ganham um papa-pilha e recebem cupons para concorrer a sorteio de brindes. Neste foram 10 bicicletas; 1 tablet; 1 notebook e 1 videogame, todos doações da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), por intermédio das Faculdades de Engenharia Ambiental, Agronomia e Mestrado em Educação, que também participam com mais de 230 acadêmicos voluntários.
“A premiação é uma forma de estimular e agradecer as pessoas que colaboram para um meio ambiente mais saudável”, acentua Alessi.
Destino correto
O secretário explica que todo o material recolhido na ação só é enviado para empresas que tenham licença ambiental da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), sendo que a Silcon Ambiental, de Cerqueira César (SP), é a especializada em descaracterização de lixo eletrônico, responsável em 2018. “Ela possui ISO-9000, de qualidade, e ISO-14000, de meio ambiente. Na região não tem nenhuma com esse nível de certificação”, salienta Alessi, e lembra que não há nenhum custo para o município e as empresas parceiras do evento, que analisam a documentação apresentada pelos interessados, é que custeiam o transporte.
“Pela primeira vez, a Cetesb é nossa parceira, dando apoio institucional, porque existe a intenção de incentivar outras cidades do Estado a fazerem o mutirão de lixo eletrônico também. Isso é muito importante e nos deixa ainda mais satisfeitos, pois revela que estamos fazendo certo”, enaltece o titular da pasta.
Perguntado a Alessi, de que forma eram descartados estes componentes eletrônicos antes dessa iniciativa, ele comenta que provavelmente isso iria para o lixo comum, doméstico. “A gente sabe que hoje em dia, mesmo incomodando, ocupando espaço, as pessoas guardam esses materiais. É um evento que pegou e nos deixa muito felizes. É o maior do Brasil dando exemplo para todo o país!”, exclama.
Em campo
Leila Maria Sotocorno e Silva, 35 anos, coordenadora do curso de Engenharia Ambiental, fala sobre a importância dos acadêmicos estarem envolvidos na ação. Segundo ela, quando o aluno sai para uma atividade de extensão desse porte, ele só tem a ganhar. Primeiro porque os participantes conversam entre si, entre os diversos cursos envolvidos, então, não só aprendem, como ensinam uns aos outros.
“Eles se encantam com a magnitude do evento. Alguns estão participando pela primeira vez, em especial a Engenharia Ambiental apoia o evento, porque é tudo que ensinamos em sala de aula: a necessidade de reutilizar esses resíduos, reciclar, destinar para um local adequado”, comenta Leila. “Além do contato direto com a população, eles conseguem colocar em prática todos os ensinamentos em sala de aula. Ou seja, esse evento de promoção de educação ambiental está totalmente ligado à Engenharia Ambiental e Sanitária, pois mostra que é possível contribuir com o meio ambiente e que não é difícil”, acrescenta.
A coordenadora ainda parabeniza a comunidade prudentina, que antes mesmo do evento iniciar oficialmente, já estava levando os materiais. “A participação do aluno é importante, porque ele se engaja, e ao se envolver e perceber a dimensão se educa e educa a família, os amigos. E, neste ano, estamos todos vestidos com camisetas na cor amarela, adiantando boas energias e vibrações para a Copa do Mundo [risos]”, brinca o secretário.