Nem toda ideia nasce pronta

OPINIÃO - Helena Puerta

Data 21/05/2026
Horário 06:00

Algumas ideias chegam como quem bate à porta sem avisar. Outras demoram ou se escondem atrás de uma anotação perdida, de um café tomado às pressas ou de um prazo que parecia impossível. Há ideias que nascem organizadas, outras nem tanto. Derrubam certezas e pedem uma nova tentativa. Talvez seja por isso que criar se pareça tanto com acreditar.
Porque, antes de existir peça, conceito ou campanha, existe um momento em que alguém precisa confiar no que ainda não conseguiu ver. É ali, entre o briefing e a dúvida, entre o caos e a entrega, que começa uma espécie de fé criativa. Uma fé inquieta, daquelas que levanta, pesquisa, rabisca, edita, apaga, refaz, insiste e entrega.
Minha confissão criativa? Nem sempre é fácil ter a resposta. Às vezes, minha cabeça parece um quarto bagunçado, daqueles em que não importa por onde se começa, parece impossível enxergar o fim. Ideias se misturam com medos, prazos, referências salvas e pensamentos soltos. É quase como uma oração, esperando que venha uma luz divina, um detalhe que reorganize tudo. E, para mim, o mais curioso é perceber que, eventualmente, o resultado está pronto sem nem ter enxergado quando aconteceu a mudança. É como se, no meio de tantos rascunhos, dúvidas e tentativas, um pequeno milagre tivesse acontecido.
O Festival Cria de Leão, da Escola de Comunicação e Estratégias Digitais da Unoeste, nasceu do encontro entre talento e processo, entre repertório e coragem, entre a ideia que parece pequena e a força coletiva que a transforma em algo real. Neste ano, com o tema “Santo de Casa”, o festival reconhece que o extraordinário, muitas vezes, começa no corredor, na conversa depois da aula, no grupo que resolve um problema cinco minutos antes da entrega, no potencial daqueles que estão por perto.
Dizem que santo de casa não faz milagre. Mas talvez seja porque nem sempre sabemos reconhecer os milagres do cotidiano: uma ideia que atravessa a madrugada, uma equipe que aprende a se escutar, um estudante que descobre a própria criatividade, um projeto que sai do briefing e vira realidade. Esse é o festival que não celebra apenas o resultado, mas também o caminho, o tropeço, a tentativa, o improviso e a coragem de criar mesmo sem todas as respostas, em determinados momentos, só à base da oração.
Pode não ser coincidência que este seja um festival de “criativos”. Porque criar exige estar ativo: gente que movimenta, experimenta, insiste e transforma. Porque ideia nenhuma acontece parada. No fim, ser criativo pode nunca ter sido apenas sobre imaginar coisas incríveis, mas sobre ter coragem suficiente para fazê-las existir.
No Cria de Leão, o santo de casa cria.
O altar já tem data para ser ocupado. Nos dias 25, 26 e 27 de maio, esperamos por você!
 

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