Segundo o manual da Sociedade Americana de Psiquiatria, transtornos de neurodesenvolvimento são condições com início no período do desenvolvimento, caracterizadas por prejuízos no funcionamento pessoal, social, acadêmico ou ocupacional. Exemplos muito conhecidos compreendem o TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), Deficiência Intelectual, dentre outros. Na sociedade atual, os transtornos de desenvolvimento são considerados questão de saúde pública visto que a epidemiologia do autismo, por exemplo, afeta uma a cada 127 pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde.
O que se questiona, no entanto, é a assertividade das abordagens terapêuticas e o papel de cada profissional no cuidado dessas pessoas. O que parece ser consenso é a necessidade de humanidade, empatia, envolvimento familiar e, sobretudo, a transdisciplinaridade. Esse termo, talvez, não seja tão novo, porém, é provocativo ao modelo biomédico de atenção à saúde, pois perpassa recursos técnicos e avança para o diálogo interprofissional qualificado. Nesse sentido, múltiplos profissionais podem contribuir com a melhora funcional de seus pacientes nas suas diferentes expertises, respeitando atos privativos de cada área de formação.
No entanto, existem muitos empecilhos na prática. Cada área encontrará sua barreira específica, mas, de modo geral, enfrentam lacunas na formação profissional, um cenário de diagnósticos tardios ou ausência de diagnósticos claros, falta de serviços especializados, desigualdades de acesso e serviços e a necessidade de uma formação contínua nesses tópicos, pois os estudos ainda são recentes e não trouxeram, ainda, todas as respostas.
O que se prova é que, mesmo diante de inúmeros obstáculos, o trabalho transdisciplinar é indispensável para ganho de autonomia, independência, qualidade de vida e participação social. O horizonte clínico atual é, de certa forma, otimista e aponta para um futuro em que as diferenças não sejam vistas como limitações, mas como parte da diversidade humana, pois vivemos um momento de maior conscientização social, ampliação de políticas públicas, integração intersetorial entre saúde, educação e assistência social, avanço científico e valorização da abordagem centrada na pessoa e na funcionalidade.
Nesse cenário, cada profissional assume um papel fundamental ao transformar conhecimento técnico em possibilidades concretas de desenvolvimento e participação. A atuação qualificada desses profissionais é essencial para garantir que cada indivíduo alcance seu potencial máximo, respeitando suas particularidades. Discutir diretrizes e compartilhar experiências é um passo essencial para reduzir as lacunas e fortalecer o cuidado integral.