Número de diagnósticos de HIV em Prudente cresce 6,4%

Em 2019 foram entregues retrovirais para 109 novos casos, entre particular e público, e 116 em 2020

PRUDENTE - THIAGO MORELLO

Data 24/01/2021
Horário 10:55
Foto: Arquivo
Uso do preservativo nunca deve ser descartado, lembra a coordenador do programa DST/Aids
Uso do preservativo nunca deve ser descartado, lembra a coordenador do programa DST/Aids

O número de diagnósticos de HIV (vírus da imunodeficiência humana) em Presidente Prudente teve um aumento de 6,4% em 2020. De acordo com o Programa DST/Aids de Presidente Prudente, no ano de 2019 foram entregues retrovirais para 109 novos casos da doença, entre particular e público, ao passo que em 2020 foram116 novos.
A coordenadora do programa, Glaucia Tavares de Brito, explica que, na verdade, o ano passado foi bem atípico para o local, em termos de operação, assim como todos tiveram de se ajustar com a pandemia da Covid-19. À reportagem, ela pontua que ao invés de as pessoas evitarem de procurar o espaço, “talvez se sentiram motivadas ainda mais em saber como está a saúde”.
Contudo, apesar de em nenhum momento deixar de fazer o serviço, houve “uma pequena queda na quantidade de testes realizados”, em vista de um espaçamento que foi feito na agenda do programa, para a realização desse tipo de serviço, também pensando na não aglomeração, ainda de acordo com Glaucia. “Isso mostra que, mesmo com menos testes, mais diagnósticos positivos foram descobertos”, lamenta a coordenadora.
E, diferente de outras doenças, ela também explica que o HIV não possui um período, uma sazonalidade em que a transmissão ocorre com mais frequência, pois é constante. “Há épocas do ano em que a procura é maior, e geralmente sempre após feriados prolongados, na possibilidade em que a pessoa viajou e acabou se expondo de alguma forma”, completa.

Prevenção e diagnóstico

Um ponto-chave mencionado pela coordenadora é sobre a “necessidade de quebrar o tabu existente para a realização do teste”, não só de HIV, mas de DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) em geral. “Você realizar o exame não te qualifica como uma pessoa doente. Isso se chama prevenção. Quer dizer que você tem interesse em cuidar de você”, pontua.
Ela orienta que, até mesmo quem está num relacionamento, deveria fazer o procedimento pelo menos uma vez ao ano, ao passo que, para quem se coloca em exposição com mais frequência, o indicado é fazer sempre que esse “deslize” ocorrer. “O importante é lembrar que o uso de preservativo nunca deve ser dispensado”, lembra.
Mas, uma vez diagnosticado, Glaucia destaca que é preciso maturidade para lidar com a situação, porém, entender que não é o fim de tudo. “Existe um bom tratamento para o HIV. E para isso se faz importante um diagnóstico precoce, pensando até mesmo em evitar a manifestação da aids”, frisa.
“A gente sabe que enfrentar esse problema é complicado, pois a pessoa se isola. Ela passa a se olhar de outra forma, até mesmo com um olhar de promiscuidade enraizada. Não é como um câncer, por exemplo, que você conta para alguém e todos te apoiam. O HIV está muito ligado com a moral, que é resultado de uma sociedade preconceituosa. Mas ninguém deve e nem precisa passar por isso sozinho”, enfatiza.

O HIV está muito ligado com a moral, que é resultado de uma sociedade preconceituosa. Mas ninguém deve e nem precisa passar por isso sozinho
Glaucia Tavares de Brito

HIV ou AIDS?  Qual a diferença?


HIV é o vírus causador da aids, que ataca células específicas do sistema imunológico, responsáveis por defender o organismo contra doenças. Ao contrário de outros vírus, como o da gripe, o corpo humano não consegue se livrar do HIV. Ter HIV não significa que a pessoa desenvolverá aids; porém, uma vez infectada, a pessoa viverá com o HIV durante toda sua vida. Não existe vacina ou cura para infecção pelo HIV, mas há tratamento. Aids, por sua vez é a doença causada pelo HIV, que ataca células específicas do sistema imunológico, responsáveis por defender o organismo de doenças. Em um estágio avançado da infecção pelo HIV, a pessoa pode apresentar diversos sinais e sintomas, além de infecções oportunistas (pneumonias atípicas, infecções fúngicas e parasitárias) e alguns tipos de câncer. Sem o tratamento antirretroviral, o HIV usa essas células do sistema imunológico para replicar outros vírus e as destroem, tornando o organismo incapaz de lutar contra outras infecções e doenças.
Fonte Ministério da Saúde

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