O Ambrósio já não aguentava mais as admoestações de sua esposa a quem apelidou de Azedinha. Dizem as más línguas que o apelido lhe caiu bem, pois a citada ilustre era de fato azeda que nem limão. Aliás, o limão é azedo devido à alta concentração de ácido cítrico (crônica também é cultura).
Por qualquer bobagem, ela pegava no pé do marido sem dó nem piedade, parecendo até o presifake Trump em sua encrenca com o Irã, uma guerra que pode ser o começo do fim de tudo (lembrai-vos disso).
Encurtando conversa: o coitado do Ambrósio sofria mais do que a mãe do porco espinho na hora do parto por causa das broncas da megera. Azedinha era osso duro de roer. Ou carne de pescoço. Se preferem, era uma mala sem alça. Pegava no pé dele pra valer. Um horror. Gentileza zero.
Vocês acham que este aristocrata, charmoso e sofisticado cronista (podem rir) está exagerando nesta narrativa? De jeito nenhum. Mais do que rainha do lar, Azedinha era gerentona do lar. Tinha obsessão por higiene e implicava com quase tudo o que o marido fazia em casa.
Ele não tinha liberdade nem para fritar ovo ou para usar o liquidificador na preparação de uma vitamina com "sustança" (dizem que ele adicionava mocotó).
"Deixa que eu frito, você suja o fogão quando frita ovo", dizia Azedinha, mais mal-humorada do que correntista em fila longa de banco. Era bronca em cima de bronca, uma média de dez broncas diárias, segundo sua contagem durante uma rodada de cachaça e de cerveja no bar da esquina.
Foi justamente no bar, onde nascem grandes ideias, que o Ambrósio, com a ajuda dos amigos, criou o apelido para uma pessoa tóxica com quem convivia há mais de 20 anos. "Azedinha, vou chamá-la assim toda vez que pegar no meu pé", gritou na mesa do bar. Um amigo aprovou: "Nossa, ocê é criativo", comentou. Ambrósio sentiu-se o rei da cocada amarela.
Houve uma trégua entre o casal, mas depois de receber nova reprimenda de Azedinha, o Ambrósio se "queimou", ou seja, se descontrolou e soltou os cachorros. "Você não tem jeito mesmo, sua grosseria passou de todos os limites. A partir de agora vou chamá-la de Azedinha", avisou. Ao ouvir o apelido, a mulher ficou uma onça e ameaçou dar uns tapas no marido, que a muito custo a conteve.
Depois que a poeira baixou um pouco, com a intervenção dos vizinhos, o Ambrósio, contou para a esposa que o bar criou um coquetel batizado de Azedinha. "Em homenagem a você, queridinha", explicou, acrescentando que o coquetel "tem pinga de alambique, limão galego e romã picada".
Mais tarde, o Ambrósio desculpou-se pelo incômodo apelido. Azedinha aceitou o pedido de desculpa e, mais calma, passou a frequentar o bar e só bebia Azedinha, um drinque que ela gostou e até pensou em "registrar" a marca.
DROPS
Humanidade no fundo do poço.
Chamem os bombeiros.
A coisa está feia. Chamem o maquiador.
Brasil, país do futuro... incerto.
Vendedor de limão na feira não é camelô.
É empreendedor.
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