O desafio do crescimento silencioso no Pontal

Com população duplicada por assentamentos, o prefeito Marcos Mendes, de Sandovalina, cobra apoio do Estado para gerenciar um salto habitacional que atinge 6 mil moradores

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 23/05/2026
Horário 06:25
Foto: Cedida
Prefeito Marcos Mendes, de Sandovalina
Prefeito Marcos Mendes, de Sandovalina

Atrás da mesa de gabinete do prefeito Marcos Mendes, a estante expõe várias placas como um memorial recente da infraestrutura de Sandovalina. Cada placa ali exposta representa uma obra conquistada. No entanto, o maior desafio do chefe do Executivo, que cumpre um ano e cinco meses do seu segundo mandato, não está registrado nos metais, mas sim na contagem real das ruas.

Oficialmente, os registros do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que o pequeno município do Pontal do Paranapanema possui 3,6 mil habitantes. A realidade cotidiana, contudo, pulsa em um ritmo muito mais acelerado: a cidade já ultrapassou a marca de 6 mil moradores.

Esse crescimento habitacional expressivo é fruto direto da consolidação dos acampamentos e assentamentos Miriam Farias e Dorcelina Folador. A chegada dessas famílias duplicou a demanda por serviços públicos básicos, forçando a administração municipal a equilibrar o orçamento e, nas palavras do próprio prefeito, a "segurar a bronca sozinho" enquanto aguarda a contrapartida das esferas governamentais superiores.

O canteiro de obras e o cartão-postal

Apesar da pressão demográfica sobre o caixa público, o município vive um momento de intensa transformação visual e estrutural, impulsionado por um pacote de investimentos que soma quase R$ 12 milhões em infraestrutura. Quem chega a Sandovalina percebe a mudança logo na entrada da cidade, que foi totalmente urbanizada, ganhando a extensão da avenida principal por mais um quilômetro, acompanhada de uma pista de caminhada que integra a área urbana às chácaras de recreio.

O principal cartão-postal da cidade também recebe atenção de engenharia. O córrego do balneário local passa por um processo de canalização em gabião, garantindo a contenção das margens e a preservação do espaço de lazer.

Na área esportiva, o campo de futebol do município foi completamente repaginado e tem previsão de entrega para os próximos três meses.

Já na educação, o foco está na primeira infância, com a ampliação da creche municipal em mais quatro salas de aula para atender à fila de espera dos novos moradores.

Uma cozinha modelo de R$ 3 milhões

Os investimentos em andamento também miram a segurança alimentar e a descentralização da saúde. Para garantir um salto de qualidade na merenda escolar e na assistência social, o município iniciou a construção de uma cozinha-piloto modelo, projetada para ser referência em toda a região do extremo oeste paulista, com um aporte financeiro de quase R$ 3 milhões.

Paralelamente, a construção de um novo posto de saúde avança justamente no vetor de expansão habitacional da cidade. "Temos investido muito em saúde, infraestrutura e também no funcionário público, trazendo dignidade para todos eles. Os próximos anos serão de muita vitória para o nosso município", avalia Marcos Mendes, apostando na consolidação da rede de atendimento básico para fixar o homem no campo com qualidade de vida.

DISTRIBUIÇÃO DOS INVESTIMENTOS

Principais frentes de trabalho em Sandovalina

Cozinha-piloto modelo: ────────────────────────► R$ 3 milhões
Infraestrutura geral (asfalto/galerias): ──────► R$ 12 milhões
Expansão da saúde (novo posto): ──────────────► área de crescimento urbano

O clamor por moradia e a regularização das terras

A grande queda de braço de Sandovalina, contudo, dá-se na articulação política em São Paulo e Brasília. Em encontros recentes com a assessoria do Governador do Estado, a pauta da regularização fundiária e da habitação popular dominou os requerimentos do município. O Executivo local reivindica um olhar diferenciado e proporcional à população real, e não aos dados defasados das estatísticas oficiais.

"Acredito que o Governo do Estado e o Governo Federal podem nos ajudar muito com moradia e com a resolução definitiva dessa questão da terra no Pontal do Paranapanema. O município tem sofrido muito e segurado as pontas, mas precisa que os outros poderes nos ajudem a tratar essa população com o carinho e o respeito que merecem", desabafou o prefeito.

Com os olhos voltados para a reta final do mandato, o plano de Marcos Mendes é blindar as conquistas e assegurar a manutenção dos serviços ampliados. Para uma cidade que dobrou de tamanho sem aviso prévio nos mapas oficiais, manter o equilíbrio financeiro e a qualidade do atendimento até o último dia de gestão é, por si só, a maior obra que o município pode pavimentar.

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