O mundo vem nos mostrando a cada instante que nada foi feito para durar!

OPINIÃO - Marcos Alves Borba

Data 07/04/2026
Horário 04:30

Numa modernidade tão atenta a tudo, caminhamos cada vez mais aos desmanches do que foi feito, trabalhado, estudado e, muito pensado, verdadeiramente não irá durar por muito tempo (sem contar os que meramente surgem e se desfazem num piscar de olhos), devido a tantas descobertas e buscas, com o intuito de se permanecer até quando pode. 
O que isso significa? Segundo o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman (1925-2017), que analisou a crise da vida moderna no século XXI, vivemos numa sociedade sem forma fixa: tudo muda, escorre e se desfaz rapidamente. Do livro: “Modernidade Líquida”, editora Zahar.
Ele incita ainda que essa modernidade não acabou, ela simplesmente mudou de estado sólida para líquida. Antes: solidez; empregos estáveis, relações duradouras, identidades fixas. Agora: liquidez; instabilidade, mudanças rápidas e vínculos frágeis. Vida descartável: nada é feito para durar – nem objetos, nem relações. Amor líquido: relações frágeis, rápidas e facilmente descartáveis. Trabalho instável: carreiras sólidas deram lugar a incertezas constantes. Pessoas sobrecarregadas e cansadas: problemas coletivos viram responsabilidades individuais. Consumir para existir: ser virou sinônimo de parecer, comprar e se reinventar. Medo e insegurança: liberdade cresce – mas a estabilidade desaparece. Tempo acelerado: tudo é urgente, rápido e descartável. Comunidades frágeis: mais conexões, menos pertencimento real. Globalização líquida: o poder se move rápido – a política não acompanha. Mas, e se resolvêssemos criticar o Sr. Bauman? Generalizações e pouca atenção às desigualdades. 
E o porquê tudo isso realmente importa? Porque explica a ansiedade e a instabilidade do nosso tempo. Tudo escorre. Nada permanece: emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e comunidade ―, Bauman traça suas sucessivas formas e mudanças de significado. Mas talvez você pode estar se perguntando, tranquilo, mas, e aqui na nossa realidade do dia a dia? Confesso que se pensarmos muito bem e isso realmente não precisa muito, praticamente já nos indica o quanto cada um no seu dia a dia, vem fazendo acontecer, de maneira até muito impensada, na credibilidade de que dias melhores virão. 
Seria isso realmente a forma de extrair desses conceitos abrangentes as nossas inquietações, que nem percebemos que estamos totalmente inseridos nesses quesitos? Seria, mas se mantém, o que vem ocorrendo, se refletirmos e agirmos que nossa certeza ainda perdura já algum tempo pela longa capacidade de muitos: um total individualismo que nos emana. História não é passado. É o presente em funcionamento. “A vida, no que tem de melhor; é um processo que flui, que se altera e onde nada está fixo”. Carl R. Rogers – (1902-1987). 
Acredito que tentamos, e até insistimos em sermos verdadeiros conhecedores de grande parte das coisas de hoje, numa insistência de absorções necessárias, mas que ao menos possamos edificar o que as possibilidades quando surgirem, nos emita credibilidade (não tão individualistas) de justiça e de vida. 

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