O olho no olho das securitizadoras é muito mais próximo do empreendedor

OPINIÃO - Marcelo Lebedenco

Data 05/04/2026
Horário 04:08

No papel, o gerente de banco e o operador de uma securitizadora parecem oferecer o mesmo produto: capital de giro. Na prática, habitam universos paralelos. Enquanto o sistema bancário se tornou uma máquina de algoritmos e metas frias, o mercado de securitização redescobriu o valor da presença e do entendimento real do negócio.

Presenciei uma situação que ilustra esse distanciamento. Um gerente, pressionado por metas, ofereceu a um empresário uma linha de R$ 300 mil — exigindo que ele deixasse R$ 440 mil parados como garantia em aplicação do próprio banco. Para a instituição, risco zero e meta batida. Para o dono da PME, um contrassenso: quem toma crédito para “alugar” o próprio dinheiro?

A securitizadora não quer seu dinheiro parado; quer seu fluxo futuro. Não olha só para o balanço passado, olha para a operação de hoje. O operador “gasta sola de sapato”: visita a fábrica, entende a sazonalidade e conhece os clientes do empresário. A análise é consultiva: vale antecipar este título para aproveitar um desconto com o fornecedor? Ao avaliar os sacados, presta uma consultoria de crédito gratuita, ajudando a identificar bons pagadores e riscos.

Diferente do banco, que empurra seguros e capitalizações que drenam o caixa, a securitizadora foca no custo efetivo, sem vendas casadas. O operador sabe que custo extra “come” a margem do produto vendido.

O surgimento dos FIDCs e o fortalecimento das securitizadoras permitiram que o investidor financie diretamente o setor produtivo, sem a burocracia dos grandes bancos. Enquanto o comitê de crédito analisa planilhas frias, a securitizadora analisa a nota fiscal, o canhoto e a entrega — um modelo baseado na confiança e na qualidade do trabalho, não no patrimônio imobilizado.

O “olho no olho” é uma estratégia de sobrevivência para as PMEs. O empreendedor já percebeu que precisa de um braço financeiro que entenda que dinheiro parado é prejuízo e capital girando move o país. Na securitização, o lucro vem do sucesso da operação. É uma relação de ganhos compartilhados, onde o parceiro financeiro finalmente fala a mesma língua de quem comanda o negócio.

 

 

 

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