Em viagem a Portugal, entrei em uma loja para comprar um souvenir. À minha frente, um casal de espanhóis escolhia ovos moles, doce típico de Aveiro. Ao finalizar a compra, a vendedora agradeceu e, em seguida, comentou, com simpatia, que, em Portugal, a resposta ao "obrigada" é "de nada". Achei gentil ela explicar essa diferença entre as línguas.
Quando chegou a minha vez, ao ouvir meu sotaque, ela comentou que estava torcendo para que Brasil e Portugal se enfrentassem na final do Mundial (como eles chamam a Copa do Mundo). Conversamos um pouco até que ela perguntou:
— A senhora vem sempre aqui, não é?
- Sim, quando eu posso.
Curiosa, perguntei como ela havia chegado àquela conclusão.
Sem hesitar, ela apontou para minha bolsa.
— Pela Cavalinho. Quem usa Cavalinho normalmente é português ou vem muito a Portugal. É uma marca muito nossa.
A vendedora não olhou apenas para uma bolsa. Ela reconheceu um símbolo e, a partir dele, concluiu que eu conhecia Portugal, que aquela não era minha primeira viagem e que mantinha alguma proximidade com o país.
Sorri, pois constatei na prática a força de uma marca. Quando ela conquista um lugar no imaginário das pessoas, passa a comunicar pertencimento, comportamento, hábitos. Basta uma logo para que a mensagem seja emitida, recebida e compreendida. A Cavalinho, ao longo dos anos, consolidou uma identidade ligada à produção nacional, às raízes no norte do país e à valorização do design e da tradição artesanal.
Há quem ainda considere o investimento em comunicação algo secundário. Aquela situação do cotidiano mostrou o contrário. Construir uma marca é criar significado, conexão. É resultado de uma proposta feita com consistência, até que a marca passe a fazer parte da forma como as pessoas enxergam o mundo.
Saí da loja com a convicção de que algumas marcas não ocupam apenas espaço nas vitrines. Elas fazem parte do repertório das pessoas. E, quando isso acontece, uma bolsa deixa de ser apenas um produto.