As férias de um professor têm um gosto, um cheiro, um som diferente. Talvez seja o barulho do despertador que finalmente não toca avisando que é hora de “começar os ensinamentos”. Talvez seja o silêncio de um diário de classe sem provas para corrigir, metodologias para acender o aluno ou planos de aula para terminar antes da meia-noite. Ou talvez ainda seja o vento, como canta o eterno compositor Arlindo Cruz, na música "Vai Embora Tristeza" no trecho "O vento traz o cheiro da alegria...". Não da alegria de parar para sempre, mas da alegria de respirar outra vez. Um vento esperançoso que, por um momento, reflete simplesmente sobre “a brisa e de um amor em frente ao mar”. Pura reflexão.
Há quem pense que férias são apenas dias sem trabalhar. Inerte. Parado. Desligado. Para quem vive a educação e suas nuances, são dias para voltar a existir além da profissão. Durante meses, o professor empresta sua voz, sua paciência, seu tempo e, muitas vezes, até um pedaço da própria saúde emocional para que outras histórias aconteçam e até mesmo se transformem. Ensinar é bonito, mas também é exaustivo. Pode chocar, mas é verdade. O lecionar exige corpo e mente no ritmo do aluno.
Quando na música pede "vai embora tristeza, eu preciso sonhar", talvez ela fale exatamente sobre este momento. Porque antes de voltar a ensinar sonhos, o professor precisa reencontrar os seus. Descansar não é perder tempo. É abastecer a alma. É lembrar que, para acender o entusiasmo de uma sala inteira, primeiro é preciso reacender a própria chama. É descansar. Descansar. Descan... sar.
Que estas férias tragam exatamente isso: vento leve, dias tranquilos, boas conversas, risadas sinceras e o direito de não fazer nada por algumas horas. Eu disse nada mesmo. Como dizem os próprios alunos: “vários nadas, professor”. Porque quem cuida de tantos futuros também merece cuidar um pouco de si. Uma pausa assertiva, bem pensada e relaxante. Quando o próximo agosto chegar, a educação certamente encontrará profissionais mais descansados, mais humanos e, principalmente, mais inspirados. Que o mês de julho, essa linda pausa, faça como no poema do maior sambista que pisou na terra: “Incendeia meu coração traz de volta a emoção”. Um novo recomeço lhe espera. Boas férias, professores.