Obstetras comentam recomendação do Ministério da Saúde para adiar gestações

Alerta reforça que a gestação é uma condição que favorece a formação de coágulos no sangue, e essa complicação pode tornar a Covid-19 ainda mais perigosa no período

Saúde & Bem Estar - WEVERSON NASCIMENTO

Data 02/05/2021
Horário 11:35
Foto: Freepik
Ginecologistas e obstetras também recomendam que mulheres adiem a gravidez
Ginecologistas e obstetras também recomendam que mulheres adiem a gravidez

Recentemente, o secretário de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde, Raphael Parente, recomendou que, se possível, mulheres adiem a gravidez até uma melhora no agravamento da pandemia. O alerta foi feito pelo fato de que a gravidez é uma condição que favorece a formação de coágulos no sangue, as chamadas tromboses. Essa complicação pode tornar a Covid-19 ainda mais perigosa durante as gestações. 
"Caso possível, postergar um pouco a gravidez, para um melhor momento, em que você possa ter a sua gravidez de forma mais tranquila. A gente sabe que na época do zika, durante um, dois anos, se teve uma diminuição das gravidezes no Brasil, e depois aumentou. É normal”, disse o secretário de Atenção Primária à Saúde, que é médico e tem doutorado em ginecologia. “É óbvio que a gente não pode falar isso para alguém que tem 42, 43 anos, mas para uma mulher jovem, que pode escolher um pouco ali o seu momento de gravidez, o mais indicado agora é você esperar um pouquinho até a situação ficar um pouco mais calma", complementou. 
De acordo com a médica ginecologista e obstetra, Letícia Bellusci, é necessário o bom senso. “Uma paciente jovem e saudável deve esperar melhorar a situação da pandemia no Brasil. Porém, aquela que está com mais de 35 anos ou tem alguma comorbidade deve procurar seu ginecologista para ter uma orientação individualizada”, detalha.
Diante dos riscos mencionados pelo secretário, como a formação coágulos no sangue, a médica explica que gestante e a puérpera já têm maior risco de apresentar trombose, mesmo sem estar infectada pela Covid-19. No entanto, a infecção pela doença pode aumentar as chances desse evento ocorrer.

Desfecho desfavorável

Outro alerta feito pela obstetra é de que quando a mulher está grávida ela não consegue expandir o tórax completamente, devido ao aumento do abdômen, podendo evoluir para uma insuficiência respiratória mais rápida, aumentando a gravidade da infecção pela Covid-19 nas gestantes, principalmente nas que estão na fase mais avançada da gestação.
O médico ginecologista e obstetra, Edvar da Costa Galvão Filho, por sua vez, reforça que as gestantes devem esperar um pouco mais para engravidar, não por um risco aumentado de trombose, mas, sim, pelo fato da pandemia estar grave no momento, e se a gestante contrair a Covid-19, ela pode ter um desfecho desfavorável tanto para ela quanto para o bebê. “As mulheres devam esperar um pouco mais para engravidar, pelo menos até a pandemia melhorar. Gestantes têm o sistema imunológico alterado e, com isso, tendem a ter casos mais graves do que as não grávidas”, detalha.
A expectativa, segundo o médico obstetra, é de que logo devem ser liberadas vacinas para todas as gestantes. No entanto, reforça que àquelas com comorbidades já estão liberadas para tomar o imunizante. Esta liberação, inclusive, faz parte de uma portaria do Ministério da Saúde, a qual recomenda que mulheres grávidas e que tenham doenças preexistentes podem receber a vacinação contra a Covid-19. Em nota, a pasta informa que gestantes, puérperas e lactantes podem se vacinar contra o novo coronavírus no Brasil, desde que pertençam a um dos grupos prioritários, especialmente se tiverem alguma comorbidade. Essa orientação tem como base estudos nacionais e internacionais que avaliaram os riscos e os benefícios de imunizar mulheres nessas condições. 
Para as mulheres que engravidaram nesse período, os médicos ouvidos pela reportagem recomendam que, se possível, continuem suas atividades em home office ou que se afastem do trabalho. 

Foto: Cedida

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