O Programa Cultura Viva, instituído pela Lei nº 13.018/2014, reconhece os Pontos de Cultura como iniciativas culturais desenvolvidas e organizadas pela própria sociedade civil. Mais do que projetos, os Pontos de Cultura funcionam como redes comunitárias que fortalecem identidade, participação social, formação cultural e pertencimento nos territórios.
Nos últimos meses, através do PNCC (Programa Nacional dos Comitês de Cultura), vem sendo realizado em Presidente Prudente um processo de mapeamento dos Pontos de Cultura e iniciativas culturais da cidade. O levantamento busca identificar onde essas ações estão localizadas, quais atividades desenvolvem e como contribuem para a vida cultural prudentina.
O resultado mostra algo importante onde a cultura da cidade não está concentrada apenas nos equipamentos culturais centrais. Ela está distribuída pelos bairros, periferias, coletivos independentes, espaços comunitários, grupos de capoeira, batalhas de rima, projetos audiovisuais, culturas urbanas e diversas iniciativas construídas diariamente por agentes culturais nos territórios.
Esse processo também evidencia a importância dos agentes culturais enquanto articuladores sociais da cidade. São pessoas que organizam atividades, mobilizam comunidades, ocupam espaços públicos e mantêm vivas experiências culturais muitas vezes sem apoio contínuo do poder público.
Mapear essas iniciativas não significa apenas produzir dados. Significa reconhecer quem constrói diariamente a cultura prudentina.
Diante disso, a audiência pública sobre os Pontos de Cultura e a territorialização das políticas culturais, que acontecerá no próximo dia 3 de junho na Câmara Municipal às 19h, pode representar um passo importante para avançar no debate sobre políticas culturais permanentes para a cidade.
Entre os encaminhamentos possíveis, é fundamental discutir a criação de um grupo de trabalho permanente envolvendo sociedade civil, Conselho Municipal de Política Cultural, Câmara Municipal, universidades, agentes culturais e poder público, com o objetivo de pensar ações estruturantes para o setor cultural prudentino.
Também será importante iniciar o debate para construção do Plano Municipal de Cultura, instrumento essencial para garantir continuidade, planejamento e participação social nas políticas culturais do município.
Além disso, a discussão sobre orçamento participativo para a cultura pode ampliar a participação popular na definição das prioridades culturais da cidade, aproximando ainda mais as políticas públicas das realidades dos territórios.
Planejar cultura é também pensar o futuro da cidade. E o mapeamento cultural realizado em Presidente Prudente mostra que a cultura prudentina já existe, resiste e se organiza muito além do centro urbano.