Para Não Dizer que Não Falei de Peixes

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor de pouco cloro na água e contra a cloroquina

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 26/11/2020
Horário 05:31

Em outros tempos, o governo fazia campanha para aumentar o consumo de peixes, considerado baixo no Brasil. Houve até Ministério da Pesca, salvo engano no governo da Dilma. Ministério ou Secretaria, uma coisa assim.
O titular da Pasta era o sinistro Marcelo Crivella, que vem a ser o prefeito do Rio de Janeiro e, a julgar pelas pesquisas, vai entrar bem na eleição deste ano. Em outras palavras: Crivella dificilmente será reeleito e, nesse caso, deverá reclamar com o bispo, que, aliás, é seu tio.
Mas o assunto aqui é peixe, pescado e similares. Há mais de 5 mil espécies de peixes no nosso armado Brasil. O Rio Amazonas, por exemplo, tem mais espécies do que o Oceano Atlântico. 
O problema é que o peixe custa muito caro no Brasil. Aliás, custa os olhos da cara, o que pode deixar o freguês cego, mas isto é apenas um chiste de cronista metido a besta.
Até a sardinha está cara. Peixes nobres só para ricos. Entre tais peixes, destaco o atum, o salmão e o robalo. Muito caros. Inacessíveis para a população de baixa renda, que está com o bolso mais vazio do que cabeça de certas socialites. 
Pois é, são milhares de "raças" de peixes nos rios brasileiros e no Atlântico, mas o peixe mais consumido, hoje, é um peixe importado da África, no caso, a tilápia. Tem também o panda, importado do Vietnã, e a merluza argentina.
Esses três peixes são praticamente os únicos que estão no cardápio dos restaurantes, que, é claro, não vai servir salmão com um preço mais alto do que poste. Então, meus caros e minhas caras, o povão tem como opções a tilápia, o panda ou a merluza.
Cadê o peixe brasileiro? Ah, ele é muito caro para o brasileiro. Citei acima alguns peixes nobres marinhos, mas lembro que os peixes nobres de água doce também têm preços salgados, entre eles o dourado e o pintado.
Por que o peixe é tão caro no Brasil? É por causa da comercialização que, na verdade, é uma grande exploração. O atravessador paga uma merreca ao pescador. 
Depois, ele fornece aos supermercados, peixarias e feirantes a preços já elevados e, no fim da fila, está o consumidor. Compra quem pode. Dificilmente o consumo de pescado aumentará por aqui. Peixe faz bem pra cuca. Já para o bolso... Ah, sim: vai uma tilápia de pesqueiro aí?

DROPS

Em terra de cego quem tem um olho é monarca.

Ranking é uma rã macho que pensa que é rei.

Erradicação total da pobreza extrema. Na China.

A população do Amapá deve discutir mais, pois é da discussão que nasce a luz.   
 
 

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