O sol de dezembro em Taúba não pede licença; ele abraça a areia com uma intensidade que só o Litoral Norte conhece. São quatro da tarde, e o calor ainda pulsa na pele, temperado pela maresia que sobe do canal.
O balanço do barco ainda vive no corpo, uma memória tátil das ondas que cortamos entre as ilhas. Deixamos para trás o rastro de espuma e o riso da família, trazendo apenas o sal grudado nos ombros.
Agora, o refúgio é a sombra generosa dos coqueiros numa paisagem bucólica. As folhas longas e verdes filtram a luz forte, criando rendas douradas e móveis sobre o chão de grama onde descanso os pés.
À frente, o mar se estende como um lençol de cetim azul. O tom é tão profundo que parece carregar o peso de todos os desejos de final de ano que lançamos ao vento durante a travessia.
No horizonte, os gigantes de ferro aguardam em um silêncio metálico. Navios petroleiros, imponentes e estáticos vigiam a entrada de São Sebastião, guardando em seus ventres o diesel S10 que moverá o amanhã.
Mulher Maravilha caminha devagar pela beira d'água, a poucos metros de distância. Ela para e observa a dança dos navios distantes, o contraste absoluto entre a tecnologia bruta e a delicadeza da espuma branca.
Não há neve aqui, apenas o brilho do sol refletido nas ondas como pequenos diamantes líquidos. O Natal em Taúba se manifesta no ritmo lento da maré e no estalar seco das palhas de coco acima de nós.
Olho para a Mulher Maravilha e percebo que a celebração hoje é este intervalo. É o silêncio compartilhado entre o movimento vibrante das ilhas e o repouso absoluto da terra firme, sob a proteção do verde das encostas.
Os petroleiros parecem parte da paisagem, sentinelas de aço que esperam o momento de descarregar no porto. Enquanto eles aguardam sua vez, nós descarregamos nossas pressas e preocupações na areia quente.
O sol inicia sua descida lenta atrás da serra. O Natal nesta praia é essa calma suspensa, um abraço de luz azul e a certeza de que a vida, assim como o mar, sempre encontra o seu cais.