A utilização da vinhaça biodigerida como fertilizante para cana-de-açúcar, em comparação com a vinhaça in natura, apresentou resultado surpreendente em pesquisa comparativa realizada em Presidente Prudente: foram 28 toneladas a mais de cana por hectare.
Com a vinhaça convencional, foram 92 toneladas por hectare. Com a vinhaça biodigerida, alcançou 120 toneladas por hectare. São 2 toneladas a mais de açúcar por hectare, ou seja: a cada 10 mil m².
O resultado surpreendeu os envolvidos na pesquisa, não pelo desempenho superior, mas pela magnitude da diferença, ressaltando a necessidade de novos estudos para aferir se o ganho será sempre muito expressivo.
O estudo foi desenvolvido pelo engenheiro agrônomo Cristiano Pereira Tavares, que tem 35 anos de experiência de trabalho no setor sucroalcooleiro, atualmente empregado na ANAgro, em Ourinhos (SP).
A realização da pesquisa foi junto ao PPGA (Programa de Pós-graduação em Agronomia) da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), em Presidente Prudente, com orientação de Carlos Sérgio Tiritan e coorientação de Alexandrius de Moraes Barbosa.
A dissertação “Produtividade de cana-de-açúcar em função da aplicação de vinhaça biodigerida x vinhaça convencional” foi levada à defesa pública na quinta-feira, 30 de abril, com a aprovação para que Cristiano receba o título de mestre em Agronomia.
A avaliação foi feita por Eduardo Xavier Guerra, vinculado à Unoeste, e por Diego Henrique Santos (online), do Idam (Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas).
“O trabalho é bastante interessante. Foi avaliado o desempenho da vinhaça, subproduto da cana-de-açúcar, comparando a vinhaça crua e a biodigerida, que passa pelo processo de descarboxilação”, explica o orientador.
“O desempenho significativo da vinhaça biodigerida, que passa pelo processo da produção do gás biometano, abre a sequência de novos trabalhos para a gente compreender o que está acontecendo exatamente nesse processo de biodigestão”, diz.
Conforme Tiritan, a vinhaça normal já é utilizada em larga escala. Sobre a vinhaça biodigerida, existem experimentos agrícolas, mas o estudo de Cristiano foi o primeiro de caráter científico.
Além do ganho econômico, com maior produtividade por hectare, a utilização da vinhaça biodigerida como fertilizante oferece benefício ambiental com o processo de descarboxilação, que é a retirada do dióxido de carbono (CO₂).