Pingos de Ouro

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da Mangueira e da mangueira (respectivamente, escola de samba e pé de manga)

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 09/10/2020
Horário 05:32

Quando ouvi o barulho suave logo percebi que se tratava de chuva. Era quase meia-noite, enfim, início da quinta-feira. Claro que me alegrei, pois o calorão está de fritar ovo no asfalto.
Santo Deus, como foi bom ouvir o barulho dos pingos, que pareciam cair de um jeito intermitente. Durou pouco tempo, mas menos de uma hora depois os pingos voltaram a cair, desta vez com mais intensidade.
Nada de aguaceiro ou pé d’água na zona oeste de Prudente. Não sei se a chuva rala caiu em todo o bairro e até mesmo em outros bairros. Com a temperatura mais alta do que escada de bombeiro, uma chuvinha sempre é bem-vinda. Pelo menos amenizou o calor, aliás, calorão do Saara. Refrescou um pouco.
Dito isto, só me esta agradecer a São Pedro e, da próxima vez, espero que ele jogue logo a Sabesp sobre a cidade. Enfim, chuva em abundância, três dias sem parar como diz a marchinha da Emilinha Borba. De qualquer forma, os pingos que caíram merecem ser chamados de pingos de ouro. Melhor do que nada.  
O drama da seca já foi muito bem retratado em várias canções em um tempo em que se fazia música de verdade no Brasil, não essas besteiras de agora. Assim de supetão lembrei-me de "Pingo d’água", do lendário compositor sertanejo João Pacífico. É um dos grandes sucessos de Tonico e Tinoco, a dupla Coração do Brasil.
Lembrei-me também de "Súplica Cearense", de Gordurinha, onde o compositor menciona a seca que "sempre queimou o meu Ceará". Não poderia deixar de mencionar "Asa Branca", do notável Luiz Gonzaga, um dos fundadores da música brasileira, segundo o crítico José Ramos Tinhorão. 
Humberto Teixeira é o parceiro do Gonzagão nesse clássico, cuja letra fala da "terra ardendo qual fogueira de São João". Tudo a ver com o Pantanal nestes dias sombrios, sem a sombra das árvores. 
Em outro verso de "Asa Branca", Luiz Gonzaga diz que por "farta d’água perdi meu gado, morreu de sede meu alazão".  Triste, mas genial. Ele só "esqueceu" de dizer se o cavalo alazão era quarto de milha, mangalarga ou pangaré mesmo. No mais, meu reino por uma chuvinha.

DROPS

A chuva que desmancha o cabelo da moça é a mesma que faz a semente germinar.
(Hélio Ribeiro, gênio do rádio)

"Estou cantando e dançando na chuva".
(Gene Kelly, em "Cantando na Chuva")

"Chove chuva, chove sem parar".
(Jorge Ben, atual Jorge Benjor)

"Se corta árvore, sol esquenta, vento aumenta e água some".
(Cacique Raoni, numa lição de ecologia para branco idiota)
 

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