Teve início a segunda edição do Doutores da Tilápia, consolidado como o maior evento técnico de piscicultura de tilápia do país. Realizado pela UniVita Aqua (divisão de nutrição e saúde aquícola do Grupo Soesp), o evento de imersão ocorre no Terra Parque Eco Resort, reunindo os principais nomes da cadeia produtiva nacional, incluindo grandes criadores, pesquisadores, fornecedores e especialistas do setor.
A abertura oficial foi conduzida pelas lideranças da empresa realizadora: Itamar Alves de Oliveira (diretor-presidente do Grupo Soesp) e Eduardo Pasquini de Oliveira (diretor executivo da UniVita). Em seus discursos, os diretores destacaram a rápida evolução da UniVita Aqua no mercado — cujo portfólio de marcas como Fossfish e AquaStart tornou-se o principal negócio do grupo — e reforçaram o compromisso com a profissionalização e a entrega de resultados zootécnicos comprovados para a tilapicultura brasileira.
FOCO NAS DORES DO SETOR:
SANIDADE, CUSTOS E GESTÃO
Diferente de feiras comerciais tradicionais, o Doutores da Tilápia foi desenhado para discutir os gargalos reais enfrentados pelos produtores no dia a dia. De acordo com o diretor executivo, Eduardo Pasquini, o evento cresceu em estrutura para atender às demandas trazidas pelos próprios piscicultores na edição anterior.
"A tilapicultura tem vários eventos no país, mas muitas vezes não sentamos para conversar a respeito de problemas de sanidade ou gestão de pessoas. Queremos trazer para a mesa discussões com pessoas gabaritadas para nos dar um norte sobre custos de piscicultura, nutrição, motivação e, principalmente, a sanidade em tanques-rede, um tema desafiador que não vai sair do nosso radar tão cedo", pontuou Eduardo.
O diretor também reafirmou o posicionamento estratégico da UniVita Aqua de não abrir mão da alta performance: "O nosso foco sempre vai ser trabalhar com resultado e performance. Não nos predispomos a trabalhar com ração comercial comum apenas por volume de vendas, mas sim com o ganho real do produtor na água."
O DESAFIO DA
LUCRATIVIDADE NA ÁGUA
Durante a abertura, foi enfatizado que o sucesso financeiro da atividade está diretamente atrelado à tecnificação e aos índices de sobrevivência dos lotes.
"Não adianta conversarmos sobre uma excelente conversão alimentar se tivermos uma taxa de sobrevivência de 65%. O lucro vai embora. Nós, piscicultores, temos o grande desafio de sermos mais eficientes. E só vamos conseguir isso com a união do setor e a tecnificação das propriedades em parceria com empresas comprometidas", alertou Eduardo Pasquini.
O evento conta com o apoio de grandes marcas parceiras da cadeia produtiva e da fábrica da UniVita em Presidente Prudente, como Phibro, Vacicova, Bluefish, Phileo, Arceu, Rheus, Vidara, Y3K e LW Fish.
Ao final de sua fala, Eduardo instigou o público com uma reflexão sobre a busca por eficiência em detrimento do menor preço: "O passado é o nosso mestre, o presente é o nosso povoamento e o futuro é a nossa colheita. Nos desafios da vida, o verdadeiro sucesso não pertence a quem sabe mais, mas a quem aplica melhor os aprendizados do passado com os conhecimentos do presente."
PRODUTIVIDADE AZUL E
EQUILÍBRIO ECONÔMICO
O ciclo de palestras foi inaugurado pelo Prof. Dr. Omar Jorge Sabag, engenheiro agrônomo, pós-doutor e livre-docente em Economia e Gestão do Agronegócio pela Unesp. Com o tema "Produtividade Azul: O Equilíbrio entre Custos e Pessoas", o especialista contextualizou o cenário da tilapicultura no Brasil, que hoje representa cerca de 70% de toda a produção da aquicultura nacional.
Sabag destacou o exemplo de organização coletiva do estado do Paraná (líder nacional de produção) e alertou os produtores sobre o controle rigoroso dos custos internos, lembrando que o produtor é um "tomador de preços" ditados pelo mercado.
O PESO DA ALIMENTAÇÃO E
OS GARGALOS INVISÍVEIS
O palestrante apresentou dados mostrando que a ração representa, em média, 70% a 80% do COE (Custo Operacional Efetivo) da atividade. Manejos inadequados de arraçoamento foram classificados pelo professor como "jogar ouro na água", gerando prejuízos severos ao caixa e ao meio ambiente.
Entre as principais ineficiências visíveis e ocultas apontadas pelo especialista estão:
* Conversão alimentar ineficiente;
* Desperdício de insumos na água;
* Alta rotatividade de colaboradores (turnover).
"Produzir peixe é biologia, mas lucrar com peixe é economia", resumiu o professor Omar Sabag, destacando que a otimização de investimentos, o conhecimento do ponto de equilíbrio do negócio e a valorização do capital humano são os verdadeiros motores para o crescimento sustentável da atividade.
A programação do Doutores da Tilápia segue com imersões técnicas, debates setoriais, visitas à fábrica da UniVita e o jantar temático "Monte Tilápia", focado em apresentar o potencial gastronômico e a versatilidade da espécie.

Eduardo Pasquini e Itamar Alves de Oliveira, diretores do grupo Soesp/UniVita

Prof. Dr. Omar Jorge Sabag, engenheiro agrônomo, pós-doutor e livre-docente em Economia e Gestão do Agronegócio pela Unesp, falou sobre o tema "Produtividade azul: o equilíbrio entre custos e pessoas"

Programação da segunda edição do Doutores da Tilápia