População da região cresce 0,47%, segundo estimativa do IBGE

Dos 53 municípios da 10ª RA, a maioria apresentou aumento entre zero e 1%, enquanto nove foram marcados pela evasão de moradores

REGIÃO - ANDRÉ ESTEVES

Data 27/08/2020
Horário 21:08
Arquivo - Prudente, maior cidade regional, conta com 230.371 habitantes
Arquivo - Prudente, maior cidade regional, conta com 230.371 habitantes

O número de habitantes na 10ª RA (Região Administrativa) do Estado de São Paulo cresceu 0,47% neste ano, conforme as estimativas populacionais do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgadas nesta quinta-feira no DOU (Diário Oficial da União). Enquanto em 2019, a região era composta por 895.426 pessoas, neste ano, a quantidade passou para 899.619, o que demonstra um aumento de 4.193 munícipes. Entre as 53 cidades, 44 (83%) apresentaram crescimento populacional, enquanto nove (17%) registraram evasão de residentes.
Tal diminuição ocorreu em Flora Rica (-2,32%), Rosana (-2,18%), Presidente Bernardes (-0,63%), Euclides da Cunha Paulista (-0,49%), São João do Pau d'Alho (-0,24%), Indiana (-0,12%), Sagres (-0,08%), Santo Anastácio (-0,06%) e Ribeirão dos Índios (-0,04%). Em relação aos demais, o que se constata é que a maioria dos municípios (37 deles) apresentou alta entre zero e 1%. Para o sociólogo Marcos Lupércio Ramos, tais índices acompanham o nível de desenvolvimento do país como um todo e também são justificados pelas características da região em termos de geração de empregos. 
Segundo ele, há uma dependência muito grande do setor terciário, formado pelo comércio e serviços, sendo que o primeiro em específico está com baixo nível de crescimento e sofre com a concorrência das vendas pela internet, que acabam por gerar empregos em outras regiões e países.
Em decorrência disso, ocorre a migração interna, de forma que parte da população da região está migrando para Estados ou regiões mais dinâmicos do ponto de vista econômico, sendo que o fluxo é crescente no sentido do centro-oeste do Brasil (Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás), em razão do maior crescimento econômico destes Estados em função do agronegócio.
O sociólogo Heitor Ribeiro corrobora a ideia. Segundo ele, jovens de cidades com poucos recursos a oferecer saem delas para trabalhar ou estudar em municípios maiores. Inicialmente, tal migração pode ser pendular, que se refere ao deslocamento diário entre um município e outro, de modo que aquele de origem passa a ser uma “cidade-dormitório”. No entanto, devido ao desgaste com o transporte, a tendência é que as pessoas busquem conforto, mudando-se para as cidades maiores e ficando mais próximas do trabalho e estudo.

Planejamento familiar

Marcos acrescenta que o cenário também está associado à diminuição da taxa de fertilidade, o que poderia ser resultado de um melhor planejamento familiar ou mudança cultural, como, por exemplo, o ato de se casar mais tarde, depois de um período maior de namoro. “A chegada do primeiro filho também é postergada em função da carreira dos pais e da busca de curtir mais a vida, seja de solteiro ou mesmo casado”, comenta o especialista.
Heitor aponta que, diante dos menores índices de natalidade, a maior qualidade de vida da população evitou que o problema populacional fosse agravado. De acordo com o profissional, a população idosa dessa geração “não vai durar para sempre” e a reposição está baixa. Por esta razão, espera-se o decréscimo da população brasileira a partir de 2047. “No ano passado, o mundo passou a ter mais avós que netos. A tendência é que no futuro o Brasil como um todo tenha mais idosos que jovens”, comenta.
Foto:

Estimativas populacionais dos munícipios regionais

Cidades

Estimativa em 2019

Estimativa em 2020

Evolução

Adamantina

35.068

35.111

0,12%

Alfredo Marcondes

4.166

4.184

0,43%

Álvares Machado

24.915

24.998

0,33%

Anhumas

4.115

4.144

0,70%

Caiabu

4.191

4.193

0,05%

Caiuá

5.874

5.946

1,23%

Dracena

46.793

47.043

0,53%

Emilianópolis

3.214

3.227

0,40%

Estrela do Norte

2.766

2.770

0,14%

Euclides da Cunha Paulista

9.371

9.325

-0,49%

Flora Rica

1.464

1.430

-2,32%

Flórida Paulista

14.640

14.790

1,02%

Iepê

8.159

8.194

0,43%

Indiana

4.885

4.879

-0,12%

Inúbia Paulista

3.991

4.019

0,70%

Irapuru

8.294

8.325

0,37%

Junqueirópolis

20.679

20.831

0,74%

Lucélia

21.747

21.886

0,64%

Marabá Paulista

5.853

5.948

1,62%

Mariápolis

4.084

4.091

0,17%

Martinópolis

26.461

26.628

0,63%

Mirante do Paranapanema

18.259

18.338

0,43%

Monte Castelo

4.166

4.166

0,00%

Nantes

3.141

3.179

1,21%

Narandiba

4.857

4.904

0,97%

Nova Guataporanga

2.316

2.325

0,39%

Osvaldo Cruz

32.879

33.000

0,37%

Ouro Verde

8.562

8.620

0,68%

Pacaembu

14.197

14.263

0,46%

Panorama

15.777

15.862

0,54%

Pauliceia

7.366

7.454

1,19%

Piquerobi

3.692

3.699

0,19%

Pirapozinho

27.527

27.754

0,82%

Pracinha

4.093

4.212

2,91%

Presidente Bernardes

13.106

13.023

-0,63%

Presidente Epitácio

44.200

44.389

0,43%

Presidente Prudente

228.743

230.371

0,71%

Presidente Venceslau

39.516

39.583

0,17%

Rancharia

29.707

29.726

0,06%

Regente Feijó

20.261

20.394

0,66%

Ribeirão dos Índios

2.225

2.224

-0,04%

Rosana

16.643

16.281

-2,18%

Sagres

2.432

2.430

-0,08%

Salmourão

5.300

5.337

0,70%

Sandovalina

4.302

4.354

1,21%

Santa Mercedes

2.939

2.943

0,14%

Santo Anastácio

20.878

20.866

-0,06%

Santo Expedito

3.111

3.135

0,77%

São João do Pau-d'Alho

2.105

2.100

-0,24%

Taciba

6.285

6.329

0,70%

Tarabai

7.468

7.540

0,96%

Teodoro Sampaio

23.148

23.273

0,54%

Tupi Paulista

15.495

15.583

0,57%

Total

895.426

899.619

0,47%

Fonte: IBGE

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