Preço da carne bovina sobe 20%

Alta é causada pela retomada das exportações, especialmente a China, situação que causa diminuição da oferta no Brasil e, portanto, aumento nos valores

PRUDENTE - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 23/11/2019
Horário 04:02
 Paulo Miguel  - Nos últimos dias, preço da carne vem subindo constantemente
Paulo Miguel - Nos últimos dias, preço da carne vem subindo constantemente

Consumidores assustados pela alta vertiginosa do preço da carne bovina. Açougueiros preocupados com as vendas de fim de ano e com a oferta do produto. Produtores contentes e otimistas com a venda acelerada no mercado exterior. O fato é que, no Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, nos últimos meses, o preço do produto subiu mais de 20%, explica o economista Walter Dallari, aumento motivado pela retomada do comércio, especialmente, com a China, e Presidente Prudente, com tradição pecuarista, está no centro desta questão.

O proprietário da Casa de Carnes Meridional, Fábio Kitamura, 47 anos, afirma que nos últimos 30 dias o preço da carne está subindo diariamente. “Todo dia fecha um preço diferente”, destaca. Fábio afirma, ainda, que o reflexo é visível no preço da arroba do boi gordo, que registrou um rápido salto de R$ 150 para quase R$ 230. “O consumidor está sendo prejudicado, hoje percebemos queda de aproximadamente 20% nas vendas”.

Fábio tem cautela até nos contratos de vendas para a época natalina, quando o consumo aumenta bastante. Ainda que venda, o proprietário não fecha valores, já que o preço pode subir bastante até o fim de dezembro. Para escapar deste cenário incerto, o chef Rodrigo Luizari, proprietário da rotisseria Panela Velha, pretende, diferente dos anos anteriores, quando compra as carnes para o Natal na segunda semana de dezembro, realizá-las ainda em novembro, para que com o estoque possa, enfim e com segurança, liberar seu cardápio de Natal.

“Está todo mundo de cabelo arrepiado”, brinca Rodrigo, ao referir-se aos reflexos que a alta vem causando a clientes e aos próprios proprietários de comércios de alimentos. “Também tememos a falta do produto, até os açougueiros não estão conseguindo absorver os pedidos inteiros”, enfatiza. O temor pela escassez de carne bovina se relaciona intimamente aos rebanhos em ponto de abate reduzidos por conta da seca que a região de Prudente sofreu, e, evidentemente, à concorrência dos mercados interno e externo.

Outro que já se preocupa é o proprietário do restaurante Tiago’s Grill, Rafael Levi da Silva. Ele afirma que foi obrigado a repassar os aumentos para o cliente e crê que nas próximas semanas o reflexo disto será mais pronunciado, especialmente na forma de menor movimento.

“OS DOIS LADOS

TÊM RAZÃO”

Walter Dallari salienta um ponto importante. Afirma que este acordo com a China foi impulsionado por outro, um relacionado à carne suína, motivado por um surto de gripe suína que dizimou o rebanho oriental.

O presidente do Sindicato Rural de Presidente Prudente, Carlos Roberto Biancardi, vai além. Ele entende que a exportação de carne bovina para a China é realmente causadora desta elevação de preços, mas entende, também, que existem outros fatores. “O preço da carne vinha represado há 4 ou 5 anos. O consumidor luta por menores preços, mas tem que ver o lado do produtor, também. O custo sempre sobe, em algum momento fica inviável. No final das contas, os dois lados têm razão”, acredita Biancardi.

Aos cidadãos brasileiros e prudentinos que precisam economizar restam as velhas técnicas, a costumeira troca de proteínas, até porque, parafraseando o ditado popular, “quem não tem boi, caça com frango”.

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