Preço do leite pago ao produtor caiu quase 10% no 1º trimestre

Cristiano Machado

COLUNA - Cristiano Machado

Data 02/04/2021
Horário 07:30
Foto: Agência Brasil/Divulgação 
Competição das indústrias pela compra de matéria-prima deve se acirrar, levando, consequentemente, à retomada dos preços ao produtor
Competição das indústrias pela compra de matéria-prima deve se acirrar, levando, consequentemente, à retomada dos preços ao produtor

O dado é do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP: o preço do leite captado em fevereiro e pago aos produtores em março recuou 2,5% na “Média Brasil” líquida, chegando a R$ 1,9384/litro. Com isso, a queda acumulada no primeiro trimestre do ano chega a 9,8%, em termos reais (descontando a inflação pelo IPCA de fevereiro/21). Ainda assim, esse valor é recorde para um mês de março e supera em 28,3% o registrado no mesmo período de 2020.
 O recuo das cotações do leite ao produtor esteve atrelado ao enfraquecimento da demanda por lácteos, tendo em vista a diminuição do poder de compra do brasileiro, o fim do recebimento do auxílio emergencial para muitas famílias, o agravamento dos casos de Covid-19 e a elevação do desemprego. Com o consumo fragilizado, houve o aumento da pressão dos canais de distribuição para obter preços mais baixos nas negociações de derivados junto às indústrias de laticínios. Saiba mais no www.norteagropecuario.com.br.


“Os segmentos da cadeia produtiva do leite não se entendem, comercialmente falando. O produtor fica fazendo leilão para a indústria, que paga mais naquele momento. Já a indústria não conta com o fornecedor garantido, não sabe se ele estará na sua plataforma no mês seguinte. E a indústria ainda é surpreendida rotineiramente com normas de mercado, com decisões do sistema varejista de ampliar ou diminuir estoques. Com isso, artificialmente, os valores oscilam muito”.
Alberto Werneck de Figueiredo (foto), diretor Institucional e de Fomento da Abraleite (Associação Brasileira dos Produtores de Leite), em entrevista ao "Agro & Negócios", da Rádio 101 FM.

Na ponta do lápis 

•    Pesquisas do Cepea mostram que, em fevereiro, o pecuarista precisou de, em média, 42,2 litros de leite para a aquisição de uma saca de 60 kg de milho, 2,4% a mais que em janeiro e 15,7% a mais que no mesmo período do ano passado. 

•    Com o custo alto, o manejo alimentar dos animais tem sido prejudicado e o abate de animais, crescido (aproveitando os preços atrativos do mercado de corte). Consequentemente, a oferta de leite no campo deve seguir limitada nos próximos meses. Nesse cenário, a competição das indústrias pela compra de matéria-prima deve se acirrar, levando, consequentemente, à retomada dos preços ao produtor. 

Empresa da região usa material que é referência na fabricação de ração para tilápias 

Com sede em Álvares Machado, a Matsuda é uma das indústrias de grande porte do Brasil que utiliza material de referência desenvolvido por pesquisadores da Embrapa na análise de nutrientes e controle da qualidade do produto destinado à alimentação de tilápias. À jornalista Ana Maio, da Embrapa Pecuária Sudeste, o químico Aparecido Matsuda, responsável pelos laboratórios da fábrica de rações da empresa, atesta a aceitação da tecnologia pelo mercado. “Quando um cliente vem visitar nossa fábrica e questiona nossas análises da ração, mostramos a eles que utilizamos o material de referência da Embrapa. É um diferencial”. 
A Matsuda produz rações para peixes em três unidades do Brasil: Cuiabá (MT), Fortaleza (CE) e São Sebastião do Paraíso (MG). A matriz da empresa fica em Álvares Machado, no interior de São Paulo. “Nós utilizamos muito esse material da Embrapa em nossos laboratórios porque ele dá mais confiabilidade às nossas amostras. Antes não havia esse material de referência e os resultados ficavam sem esse padrão. O mercado reconhece e valoriza esse diferencial”, afirma Matsuda. Saiba mais no www.norteagropecuario.com.br

Sidney Moreira de Lima

Funcionário da fábrica de rações Matsuda utiliza material de referência da Embrapa

Resgate da região como destaque na criação de cavalos

Entrevistado no programa "Agro & Negócios", da Rádio 101 FM, Luiz Celso Cuba (foto) falou sobre o amor pelos cavalos e suas atividades profissionais. Para Celso Cuba, é necessário resgate de antigos criadores e novos para aquecer o segmento de criação de cavalos na região. Confira a entrevista na íntegra no www.norteagropecuario.com.br

Cedida 

Celso Cuba falou ao “Agro & Negócios”, da 101 FM 

SP terá dois representantes na nova diretoria da Aprosoja Brasil 

Antonio Galvan, produtor rural de Mato Grosso, será o próximo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja para o Triênio 2021/2024. A nova diretoria da entidade foi eleita por aclamação na terça-feira (23/3). Ele tomará posse no final mês de abril. Atual vice-presidente imediato da entidade, Galvan ocupava até dezembro passado a presidência da Aprosoja-MT. Ele substitui Bartolomeu Braz Pereira. A nova diretoria da entidade terá dois representantes de São Paulo: Andrey Rodrigues, vice-presidente, e Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia, titular do conselho fiscal. A Aprosoja Brasil congrega 16 associadas estaduais e representa mais de 240 mil sojicultores em todo o país.

Divulgação 

Galvan vai presidir a Aprosoja Brasil 

Desafio: Soluções sustentáveis sobre sistemas ILPF 

Startups em sintonia com a produção agropecuária de forma sustentável em sistemas de ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) podem se inscrever gratuitamente, até 9 de abril, no ILPF Conecta. O desafio selecionará três empresas com soluções para o desenvolvimento de atividades agrícolas, pecuárias e florestais em uma mesma área de forma sustentável.  O ILPF Conecta integra o II Congresso Mundial sobre Sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, maior evento mundial sobre Sistemas ILPF (WCCLF, sigla em inglês), que será realizado nos dias 4 e 5 de maio, em formato 100% virtual. As startups selecionadas estarão em um espaço virtual, ao vivo, exclusivo para interagir com investidores e especialistas, demonstrando suas soluções tecnológicas. Mais detalhes no www.norteagropecuario.com.br.

Campo é responsável por 35% das exportações do Estado de SP 

No primeiro bimestre, as vendas externas do agronegócio paulista superaram US$ 2,1 bi, reduzindo o déficit comercial e garantindo 1/3 das exportações do Estado. Nos dois primeiros meses do ano, as exportações do agronegócio alcançaram US$ 2,19 bilhões, montante 2,8% superior ao mesmo período de 2020, o que corresponde a 35,1% das vendas externas paulistas; enquanto as importações, em queda de 8,6%, totalizaram US$ 740 milhões. Essas transações resultaram em um superávit de US$ 1,45 bilhão, 9,8% superior ao obtido no ano passado, informa a Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do IEA (Instituto de Economia Agrícola). No mesmo período, as exportações totais do Estado de São Paulo somaram US$ 6,24 bilhões, uma queda 2,3% em relação a 2010; e importações, US$ 8,84 bilhões, registrando déficit comercial de US$ 2,60 bilhões. Os pesquisadores ressaltam o desempenho do agronegócio que, com a queda das exportações totais do Estado, é fundamental para reduzir o saldo negativo das contas externais paulistas. 
 

Veja também