A prefeita de Salmourão, Sônia Cristina Jacon Gabau (PSD), e o advogado e assessor de gabinete, Fábio Bannwart, anunciaram nesta quinta-feira que irão publicar um decreto que prevê o pagamento de um complemento aos professores, além do reajuste de 5,4% que foi aprovado para todos os servidores do município.
A medida foi tomada após os professores da rede municipal de ensino decidirem instaurar estado de greve, em assembleia convocada pelo Sintrapp (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Presidente Prudente e Região), para a última terça-feira, quando foram discutidas medidas a serem tomadas no que a categoria denomina como “luta pelo pagamento do Piso do Magistério”.
No encontro ficou acordado entre os trabalhadores que o Sintrapp elaborará um documento oficial, a ser protocolado junto à administração, informando o estado de greve e solicitando que seja aberta uma mesa de negociação para discussão do cumprimento da referida lei.
“Além disso, o sindicato seguirá organizando e acompanhando de perto a situação. Reforçamos que a mobilização da categoria será decisiva neste momento. O estado de greve é um aviso e também um instrumento legítimo de mobilização na luta pela garantia de direitos”, frisa a entidade.
Conforme o Sintrapp, o estado de greve anunciado pela categoria se trata de um gesto coletivo que expressa indignação diante da falta de um posicionamento oficial da administração que garanta que o magistério receberá o piso nacional com “a urgência necessária”.
Em tratativas
Procurada pela reportagem, a prefeita afirmou que, junto à Secretaria Municipal de Educação e contadores do Executivo, já está há meses em tratativas com a categoria. Ressaltou ainda que, conforme levantamento realizado pelo setor de contabilidade, em 2025, dos R$ 4.219.874,00 arrecadados com o (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), R$ 4,1 milhões foram investidos em pagamentos de professores, o que representa 91% em comparação ao mínimo de 70% exigido. Quanto aos 9% restantes do montante, estes foram direcionados para melhorias para as escolas.
“Em nenhum momento a gente se recusou a ouvir os professores. E, sim, estamos estudando de acordo com as condições financeiras da Prefeitura a melhor maneira da gente estar fazendo essas tratativas. Quando a arrecadação cai, porque ela oscila, a gente tem que tirar o professor que não dá para pagar no Fundeb, e colocar ele nos 25%, que é o próprio, que a gente poderia estar gastando, desses 25% do próprio, R$ 7 milhões aproximadamente. E nós gastamos mais de R$ 8 milhões com os vencimentos dos professores”, declarou Sônia.
“Eu sou professora de carreira, a secretária da educação é professora, e a gente esteve em conversa com os professores na Prefeitura. Essa greve é um direito deles, mas o nosso combinado junto com jurídico, contadores, nós estamos cumprindo”, considerou. “Mandamos para a Câmara Municipal, na semana passada, aumento real de 5,4%. Não só para os professores, como todos os funcionários, e mais um complemento salarial para que a gente esteja amenizando a situação que eles estão colocando, até porque eu não posso me antecipar, porque existe hoje uma votação no STF (Supremo Tribunal Federal], prossegue a chefe do Executivo.
“Então, foi pedido visto, era para ter votado e a gente está acompanhando de perto, que a gente tem um entendimento que está sendo cumprido o piso, mas a questão ainda está em votação, se esses vencimentos serão pagos através do salário-base ou não. Então a gente tem que respeitar esse entendimento, essa votação que ainda vai acontecer”, enfatiza. “Mas, a gente está cumprindo o aumento real. Vamos cumprir com esse complemento. A gente está aqui para fazer o que é melhor, e não só pela educação. Sou gestora e tenho que ter responsabilidade de acordo os recursos que vêm para poder estar cumprindo todos esses compromissos”, concluiu.