Profissionais de saúde são capacitados sobre lavagem otológica na atenção primária

Diante da alta demanda pelo procedimento em unidades, objetivo foi preparar clínicos e plantonistas para que realizem remoção de cerúmen com segurança e evitem complicações

PRUDENTE - DA REDAÇÃO

Data 15/04/2026
Horário 16:33
Foto: João Paulo Barbosa
Capacitação ocorreu nessa terça-feira, no Ambulatório Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima
Capacitação ocorreu nessa terça-feira, no Ambulatório Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima

A alta demanda por procedimentos de remoção de cerúmen nas unidades de saúde motivou a realização da capacitação “Lavagem otológica: técnica segura e práticas baseadas em evidências” no fim do dia desta terça-feira, no Ambulatório Ana Cardoso Maia de Oliveira Lima, em Presidente Prudente. A iniciativa reuniu profissionais da saúde, docentes e acadêmicos para um momento de aprendizado prático e atualização técnica, com foco na segurança do paciente e na qualificação do atendimento.

A lavagem otológica é um procedimento comum na atenção primária, mas ainda cercado por lacunas na formação técnica de muitos profissionais. Segundo o médico otorrinolaringologista Geraldo Cesar Alves, responsável pela capacitação, a iniciativa surge justamente para suprir essa necessidade crescente na rede pública.

“O cerúmen acumulado acontece com muita frequência, e nem sempre há especialistas disponíveis para todos os casos. Por isso, capacitar clínicos e plantonistas é fundamental para que realizem o procedimento com segurança e evitem complicações”, explica.

De acordo com o especialista, embora seja considerado simples, o procedimento exige conhecimento detalhado da anatomia do ouvido e domínio da técnica correta. “Todo procedimento médico precisa ser baseado em conhecimento técnico e científico. Quando isso não acontece, há risco de danos ao paciente, como perfuração do tímpano”, alerta.

Técnica correta e riscos evitáveis

Durante a capacitação, foram abordadas práticas baseadas em evidências científicas, incluindo o uso adequado de soro fisiológico ou água morna, posicionamento correto do paciente e controle do jato durante a irrigação, fatores essenciais para evitar complicações como tontura ou lesões na membrana timpânica.

“Eu vejo muita técnica sendo feita de forma errada, e isso pode causar problemas sérios. A ideia é mostrar exatamente como fazer, de forma segura, para reduzir riscos e melhorar o atendimento”, destaca o médico.

Além disso, a capacitação também orientou sobre os limites da atuação clínica. Casos mais complexos, como cerúmen endurecido ou próximo à membrana timpânica, devem ser encaminhados ao especialista. “Há situações em que apenas o otorrinolaringologista conseguirá realizar a remoção com segurança, utilizando instrumentos específicos”, reforça.

Foto: João Paulo Barbosa - Médico otorrinolaringologista Geraldo Cesar Alves foi responsável pela capacitação

Qualidade do atendimento

Entre os principais sintomas causados pelo acúmulo de cerúmen, estão perda auditiva temporária, zumbidos, coceira, irritação e até tontura. A capacitação busca preparar os profissionais para lidar com esses quadros de forma mais eficiente, ampliando a resolutividade na atenção básica.

A ação também promove a integração entre ensino e serviço, fortalecendo a troca de experiências entre acadêmicos, professores e profissionais da rede pública. 

Para a médica de família e comunidade da atenção primária de Presidente Prudente e professora do curso de Medicina da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), Vanessa Fassina, ter o conhecimento por meio de capacitação e de formações otimiza o trabalho do profissional de saúde e possibilita o melhor atendimento aos pacientes. 

“Participar dessas capacitações é sempre uma oportunidade de atualizar nossos conhecimentos sobre os temas apresentados. A demanda de pacientes que procuram pela lavagem otológica é alta. Já realizo o procedimento nos atendimentos, quando é necessário. Mas ter mais conhecimento ou aprender as técnicas adequadas é fundamental”, afirmou.

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