Presidente Prudente registrou saldo de 185 novos postos de trabalho com carteira assinada em março, diante de 3.395 admissões e 3.210 desligamentos. É o que aponta o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, que revela que o resultado do terceiro mês do ano foi de estoque mensal de 72.596 empregados.
O setor de serviços seguiu como destaque positivo: 199 novos colaboradores, com 1.729 contratações e 1.530 demissões. Outras três áreas demonstraram estabilidade. O comércio somou 17 novos funcionários – 922 admissões e 905 desligamentos. A agropecuária catalogou saldo de 10 vagas: 84 contratados e 74 desligados. E, na construção, nove postos, diante de 227 admitidos e 218 demitidos.
No mês, a indústria foi o único setor que catalogou recuo, este de menos 50 trabalhadores, resultado de 433 admissões e 483 demissões. “A indústria é a primeira a sofrer quando as coisas começam a desacelerar. Com essa taxa de juros alta, a indústria está desacelerando. É o que está acontecendo. É o momento que a gente está vendo: apesar do mercado de trabalho estar aquecido, as famílias se encontram muito endividadas”, explica o diretor regional do Ciesp (Centro da Indústrias do Estado de São Paulo), Itamar Alves de Oliveira Junior.
“As coisas chegaram em um limite que, provavelmente, ou vai andar de lado ou vai descer. E a indústria mostra isso. Ela desacelera antes de todo mundo”, reforça o especialista.
O setor de serviços, que acumulou a maior parte dos novos colaboradores do ano passado – 2.038 do total de 2.236 novos funcionários inseridos em postos da cidade – segue 2026 como destaque positivo, considerando o primeiro trimestre.
O gerente regional do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), José Carlos Cavalcante, indica que os principais fatores que podem ter favorecido os resultados do setor refletem a tendência, pelo fato de Presidente Prudente ser um polo regional.
“A volta às aulas no mês de março gera demanda direta e indireta nos segmentos de alimentação e alojamento, resultando em novas contratações para atender ao fluxo de estudantes. No setor de educação, há também contratação de pessoal administrativo para atender às instituições de ensino”, explica.
Conforme Cavalcante, a terceirização e os serviços especializados também são outros fatores. Serviços administrativos e de apoio, como limpeza, segurança e manutenção predial, representam alto volume de rotatividade e admissões.
“Presidente Prudente, como centro da saúde regional do oeste paulista, atrai pacientes de diversas cidades vizinhas. Esse setor costuma manter o ritmo de contratações para atender a essa demanda flutuante, que não reside no município, mas consome seus serviços”, ressalta o gerente do Sebrae-SP.
Cavalcante ainda enfatiza que o mês de março também marca o início de cronogramas de eventos corporativos e treinamentos presenciais que ficam represados no início do ano. “Esse segmento costuma reagir positivamente para o aquecimento das contratações. Além disso, serviços de TI e software, com o aumento da presença digital nas pequenas e médias empresas, demandam mão de obra especializada. A expectativa é que se mantenha um saldo positivo, embora isso dependa da conjuntura econômica regional”, revela.

Foto: Reprodução - Desempenho de serviços, comércio, agropecuária, construção e indústria