Hoje, despertei e fiquei pensando sobre o tempo e como estamos lidando com as demandas do dia a dia. As solicitações aumentam, conforme aumentam a nossa capacidade para sonhar. Dom Quixote reflete ricamente sobre os sonhos assim, “A loucura de sonhar grande é preferível à sensatez de não sonhar nada”. Penso que sonhar é viver. E enquanto houver vida, há movimento, há impulso e estímulo. Há o vento, o sol, o luar e não há como não observar essas belezas. Podemos observar - um ato essencial, até mesmo na ausência de alguns órgãos dos sentidos. Muitas vezes, mergulhamos mais profundamente, quando deixamos a sensorialidade de fora e a cabeça vazia, assim a inspiração fica parecendo a borboleta beijando uma flor.
Atualmente os excessos, as mídias, tecnologia avançada, redes sociais, curiosidade pela vida alheia, apressam e escurecem nossa essência e a intuição se esconde. Às vezes, a cabeça fica tão cheia de pensamentos que parece não haver espaço para respirar. São ideias, preocupações, cobranças e lembranças se acumulando ao mesmo tempo, criando um excesso que pesa por dentro e transforma o silêncio em barulho. Nesse estado, até as coisas mais simples parecem difíceis, porque a mente não desacelera e o coração acompanha esse ritmo cansado.
Viver com esse excesso é como carregar um peso invisível: ninguém vê, mas a pessoa sente em cada momento do dia. Por isso, reconhecer esse cansaço mental é importante. Nem sempre é possível silenciar tudo de uma vez, mas dar nome ao que se sente já é um começo. As verdadeiras descobertas, com base em observações, emergiram assim, do vazio, do desconhecido, do nada.
Diz o psicanalista britânico, Wilfred Bion (1897-1979), “O vazio é a potência da forma”. E Sigmund Freud (pai da psicanálise) (1856-1939) sonhou uma de suas maiores descobertas teóricas, “A interpretação do sonho” (1899), sonhando. Freud diz que o sonho é a via régia do inconsciente. E que o sonho é o guardião do sono. Ou seja, precisamos dormir. Os sonhos só aparecem em estágio do sono R.E.M.
Há momentos que estamos tão desorganizados que confundimos o estado de sono com a vigília. Ou seja, não distinguimos se estamos dormindo ou acordados. E perguntamos: Estou acordado ou dormindo, realidade ou ficção? Entre tantos pensamentos, também existe a necessidade de pausa, de cuidado e de leveza, para que a mente volte a ser um lugar de abrigo, e não de confusão.