Quanto tempo destinamos à conciliação?

A conciliação é, sem dúvida, uma das ferramentas mais importantes da Justiça em geral, e da Justiça do Trabalho, em particular. Não é à toa que, por cerca de 67 anos, o que hoje conhecemos como Justiça do Trabalho tinha a denominação de Junta de Conciliação e Julgamento.
A conciliação é muito mais do que uma alternativa ao julgamento; ela representa um caminho eficiente, humano e inteligente para a solução dos conflitos trabalhistas. 
Em um cenário em que trabalhadores e empresas buscam soluções efetivas e previsíveis para os conflitos dos quais fazem parte, o acordo surge como a melhor opção para garantir segurança, economia, tranquilidade e, acima de tudo, pacificação social.
Na Justiça em geral, e na Justiça do Trabalho em particular, a conciliação possui papel de destaque notadamente porque valoriza o diálogo e a construção conjunta de soluções. Diferentemente de uma decisão imposta por sentença, o acordo permite que as próprias partes participem ativamente da resolução do conflito, ajustando condições que atendam aos interesses de todos os envolvidos.  É uma sentença escrita a várias mãos - como costumo dizer - com vistas à solução que melhor atenda a todos os interesses em jogo.
Ganham as partes, ganha a sociedade.    
Para que tudo isso ocorra, é imprescindível a disposição do mediador (servidor ou magistrado), das partes e também (para não dizer principalmente) dos advogados. Com satisfação, percebo que, dia após dia, essa é a nova forma de ver a solução de litígios por grande parte dos operadores de direito e da sociedade em geral.
Tem-se, cada vez mais, a percepção no sentido de que a conciliação institui equilíbrio, preserva vínculos, fortalece a cultura do entendimento, curando feridas que dificilmente seriam cicatrizadas por meio de uma sentença.
Nesta Justiça do Trabalho, ramo do Poder Judiciário que mais realiza acordos no Brasil, as Semanas Nacionais de Conciliação Trabalhista são levadas muito a sério.  
A iniciativa mobiliza magistrados, servidores, advogados, empresas e trabalhadores em todo o país para incentivar a conciliação em processos, demonstrando que o entendimento constrói pontes, evita desgastes e alcança resultados satisfatórios. 
Como diz o próprio tema dessa semana, que ocorrerá entre os dias 25 e 29 de maio, “Um acordo muda o jogo”.
Aos jurisdicionados e advogados, fica o convite à reflexão: conciliar é exercer maturidade, responsabilidade, empatia. O acordo evita incertezas, reduz riscos e proporciona benefícios concretos para todos os envolvidos. Na Justiça do Trabalho, a conciliação não representa renúncia de direitos, mas sim a oportunidade de resolver conflitos de forma eficiente, equilibrada e justa.
Termino este breve texto, respondendo à questão proposta no enunciado: devemos nos preparar para a conciliação durante todo o processo. Afinal, o acordo não nasce apenas no dia da audiência, mas da disposição constante de compreender, dialogar e construir soluções. Quando as partes chegam preparadas para ouvir e negociar, a conciliação deixa de ser apenas um ato processual e se transforma em verdadeiro instrumento de pacificação social.
 

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