Sobre a Páscoa cristã: aperitivos quaresmais 

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 23/02/2021
Horário 04:30

Das cinzas do arrependimento às luzes da ressurreição de Cristo

A história da Páscoa, narrada no livro bíblico de Êxodo, nasceu na amarga experiência de escravidão do povo hebreu no Egito. Sob a liderança de um homem chamado Moisés, todos os semitas foram libertos da servidão imposta pelos faraós por centenas de anos e a ação divina manifestou-se na saída do povo do Egito para uma nova terra, prometida por Deus. 
A Páscoa, então, representou o ato libertador e preservador de Deus sobre o antigo povo hebreu, em que o rito de passagem se deu no sacrifício de um cordeiro. O sangue do animal era aspergido ou esfregado nas ombreiras e nas vergas das portas. Durante a noite, as famílias comeriam o filhote de carneiro assado com pães asmos e ervas amargas. Esta refeição deveria ser feita assim: lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão; comê-lo-eis à pressa; é a Páscoa do Senhor – Êxodo 12.11. 
Todo o ritual simbólico significava libertação para os primogênitos daquele povo nômade. Na passagem do anjo far-se-ia distinção entre as casas que tinham ou não o sangue. A palavra hebraica Páscoa, então, significa passar por cima e foi exatamente isso que o anjo fez: passou por cima das casas que estavam marcadas com o sangue libertando-as da última grande praga enviada ao Faraó e seu povo.
Na manhã do dia seguinte, os hebreus festejavam a libertação. O povo, enfim, livrou-se da dura escravidão e caminhou para aterra prometida/Canaã, termo bíblico!
A Páscoa hebraica aponta simbolicamente para a Páscoa cristã ou ressurreição de Cristo. Quando Jesus está para ser crucificado Ele celebra a antiga festa com os seus discípulos e institui a ceia (pão e vinho), que deveria ser a nova versão pascal dos judeus e de todos os cristãos espalhados em todo o mundo. A diferença da celebração cristã é que Jesus tornou-se o cordeiro entregue em favor do ser humano e único capaz de redimi-lo para sempre por meio de Sua graça e bondade. 
Ao comemorar mais um início de Quaresma, vale recordar que Jesus Cristo é o verdadeiro cordeiro pascal e que, para libertar o Seu povo da escravidão do pecado, deu-Se a Si mesmo como sacrifícios e tornando o único e eterno sumo sacerdote das nossas vidas. Desta forma, quando a morte reclamar a vida, diga como o apóstolo Paulo: Tragada foi a morte pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado e a força do pecado é a lei. Graças a Deus, que nos dá a vitória por intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo - I Coríntios 15.54-57. Sem esquecer das palavras de Cristo: Isto é o meu corpo oferecido por vós... Isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança derramado em favor de vós – Lucas 22.19.20.
Deus conceda a todos os cristãos a oportunidade de viver uma rica e abençoadora Quaresma (calendário litúrgico), num tempo difícil para todos nós. Sobretudo, que o anjo do Senhor visite as nossas casas com libertação de quaisquer males e que a morte, uma vez mais, morra por meio da vida do único cordeiro capaz nos conduzir a Deus. 
A morte morreu... Há esperança para todos nós!
 

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