Sociólogo diz que suporte é papel do poder público

- ANDRÉ ESTEVES

Data 27/07/2018
Horário 09:59
Arquivo - Heitor diz que cursos suprem demandas do município ou região
Arquivo - Heitor diz que cursos suprem demandas do município ou região

Uma vez que a educação básica, por vezes, não supre as necessidades do mercado de trabalho, o Estado pode buscar capacitar pessoas com o auxílio do setor privado ou não. No entanto, o sociólogo Heitor Ribeiro defende que, quase sempre, o município não faz isso sem uma intencionalidade, considerando que, normalmente, os cursos ofertados suprem alguma demanda dentro de empresas do próprio território ou região.

O profissional destaca que, no sistema capitalista, o desemprego gera uma série de problemas associados, como a violência, por exemplo. Sendo assim, acredita ser papel das administrações públicas dar suporte para garantir oportunidades a alguns cidadãos. Ele aponta que o sociólogo David Émile Durkheim via o trabalho como um fator de coesão social, de modo que a ausência dele ocasiona graves problemas sociais.

Em relação ao fato de as famílias de baixa renda serem as mais atingidas pelo desemprego, Heitor destaca que o filósofo Karl Marx traçava uma divisão entre o trabalho intelectual e manual, de modo que, em sua concepção, o trabalho não trazia solidariedade, diferente do que pensava Durkheim. “Marx acreditava que a divisão destas formas de trabalho gera conflitos, pois sempre vai haver os que ‘pensam’ e os que ‘executam’. Para ele, isso gera exploração, cabendo à educação extingui-la”, menciona.

Heitor denota que o indivíduo de baixa renda é o mais atingido em momentos de crise e recessão, posto que lhe faltou oportunidades de formação. Com isso, ele tem mais dificuldade de conseguir uma colocação no mercado, pois acaba se tornando um “faz tudo”. “No momento de recessão, ocorrem cortes, principalmente em funções que não necessitam de especialistas”, pontua.

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